Presidente da República realçou a capacidade de resistência da Proteção Civil que, com os meios disponíveis e experiência acumulada, reagiu "o melhor que era possível".
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou esta sexta-feira em Leiria que o país evidencia melhoria na Proteção Civil, após os incêndios de 2017.
"Lembro-me de 2017 e como depois a recuperação foi mais rápida no caso dos incêndios de outubro [na região Centro]. Onde foi menos rápida e mais demorada e mais penosa, foram os incêndios de junho [em Pedrógão Grande]. Aí demorou muito tempo a capacidade de resposta a aparecer. Temos melhorado em termos da Proteção Civil", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.
Sobre o impacto da depressão Kristin, o Presidente da República sublinhou que teve noção "exata de que era de uma dimensão enorme, porque diziam, comparável com isto, só 2011".
"Ora, eu lembro-me de 2011, não foi comparável com isto. Ainda por cima, isto é um processo cumulativo. Chove o que chove e há um tempo muito longo", observou.
Segundo o chefe de Estado, "não há um problema de prevenção", pois os "ventos foram previstos e foram avisados".
"Há um problema de estruturas, umas mais recentes, outras mais antigas, que se chegou à conclusão que não aguentam", adiantou, exemplificando com o terminal rodoviário na cidade de Leira, escolas, fábricas e comunicações.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, há uma "desatualização em termos de estruturas".
"Mas esse é um problema que nós vivemos quando há estas tragédias, mas é um problema que vejo também noutros países europeus. Por exemplo, a Alemanha lançou agora um grande plano para refazer as vias de comunicação, porque já não se investia há 30 ou 40 anos", disse.
Marcelo Rebelo de Sousa assentiu que "qualquer país é impreparado" para um fenómeno idêntico ao que se viveu com esta depressão.
"Obviamente, ninguém esperava uma situação destas, supondo que a última se verificou há 15 anos, mas acho que esta não tem comparação, é muito mais grave", reforçou, ao referir que é difícil proteger "relativamente a uma circunstância que não ocorreu ou se ocorreu alguma vez foi há 15 ou 20 anos".
As Forças Armadas vão começar a colaborar com situações de alojamento e alimentação, informou o Comandante Supremo das Forças Armadas, ao adiantar que, "noutras circunstâncias, demorou muito mais tempo a fazer isso".
Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que "não houve exata noção da dimensão", ao afirmar que, inicialmente, foi avançado que as situações se focavam num "número muito pequeno de municípios a ser abrangidos pelo estado de calamidade".
No entanto, "depois descobriu-se que era cinco vezes isso, no mínimo", mas "demorou-se muito a descobrir".
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a avaliação que a Proteção Civil foi fazendo estava "aquém do que estava a acontecer, porque o que estava a acontecer continuava a acontecer".
A deslocação à cidade de Leiria, onde se fez acompanhar da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, começou no Jardim Luís de Camões, incluiu o terminal rodoviário e teve uma passagem no quartel dos Bombeiros Voluntários de Leiria, gravemente destruído.
Marcelo foi a Leiria visitar zonas mais afetadas
VÍDEO: CMTV
No final da visita, num 'briefing' na sala de operações nos Bombeiros Separadores de Leiria, o chefe de Estado referiu que este é um processo que "não acabou".
"A parte mais crítica, mais aguda, espera-se, deseja-se, já passou, mas é um processo que não terminou", avisou, referindo tratar-se de uma calamidade urbana sendo que o país não tem grande experiência nesta área.
Marcelo Rebelo de Sousa realçou a capacidade de resistência da Proteção Civil que, com os meios disponíveis e experiência acumulada, reagiu "o melhor que era possível".
Aos presentes, reconheceu que "responderam na medida das possibilidades e melhor do que estava ao vosso alcance e com resultados visíveis" num pequeno período.
Antes, no mesmo quartel, o Presidente da República agradeceu aos bombeiros, cujo contributo na resposta ao impacto da depressão Kristin elogiou.
"Sem o vosso contributo não era possível acorrer à emergência da emergência", assinalou.
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