Numa visita conduzida pelo presidente da Câmara da Azambuja, o Presidente da República percorreu vários pontos em que a água chegou às habitações.
Marcelo Rebelo de Sousa ouviu queixas esta tarde na Azambuja sobre a falta de limpeza do rio Ota, que transbordou na freguesia de Vila Nova da Rainha e obrigou à retirada de quase duas dezenas de pessoas.
Nesta freguesia, 12 habitações foram afetadas pela subida repentina das águas e 17 pessoas tiveram de ser realojadas, apesar da pronta intervenção do Exército para criar barreiras de contenção.
Numa visita conduzida pelo presidente da Câmara da Azambuja, o Presidente da República percorreu vários pontos em que a água chegou às habitações e falou com várias pessoas das dezenas que o esperavam.
Era já noite, quando o chefe de Estado chegou a Vila Nova da Rainha, após uma passagem pelos Paços do Concelho da Azambuja, mas tinha à sua espera na rua uma receção calorosa, a quem, por entre beijos e abraços, foi incentivando a terem força para ultrapassar a situação.
Um primeiro morador queixou-se da falta de limpeza do rio Ota, mas as críticas mais contundentes partiram de Cláudio Silva, de 59 anos, que se viu privado de usufruir da sua habitação.
"Os rios deviam arranjados precocemente. Não é quando há um incêndio que vamos prevenir ou quando há uma cheia que vamos arranjar", disse este homem, de forma assertiva, irritado por não existir limpeza no rio Ota, que minimizasse a saída do leito.
Dirigindo-se ao presidente da Câmara da Azambuja, Cláudio Silva disse que o autarca "sabe bem" como se encontram os rios Ota e Alenquer, que atravessam o concelho, e que "Vila Nova da Rainha merece muito mais atenção da autarquia", porque se houvesse limpeza dos leitos as inundações podiam acontecer, "mas não eram desta dimensão".
"Estou aqui há 20 anos, porque gosto de aqui viver, e nunca vi nada igual. Há pessoas que moram aqui há uma vida e nunca viram o rio desaguar para o trio Alenquer, era sempre o contrário", frisou, elogiando o "trabalho incansável dos militares e dos bombeiros".
Salientando que a cheia "foi repentina e não deu para tirar nada", Cláudio Silva mostrou-se preocupado com os estragos na habitação, requalificada há cerca de um ano e que terá prejuízos na ordem dos 40 mil euros, além de um local digno e com privacidade para residir durante cerca de um mês.
"Onde é que vou viver, mais esta gente toda, seguramente mais 30 dias com dignidade", questionou, ouvindo da boca do presidente da Câmara que será encontrada uma solução.
Atento às queixas, Marcelo Rebelo de Sousa disse ser testemunha e manifestou-se solidário com o habitante, colocando-se no seu papel e "imaginando o que está a sentir".
"Todos temos culpa, porque a prevenção é para se fazer. Temos de limpar e aprofundar os rios, porque o nosso cada vez está mais alto e mos água leva".
Na resposta, o presidente da Câmara disse que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) devia ter uma atitude mais repressiva sobre os proprietários que confinam com os rios, responsáveis pela sua limpeza fora das áreas urbanas.
O Presidente da República começou por visitar Abrantes, no distrito de Santarém, à hora de almoço, onde o Tejo inundou o parque de lazer na margem sul da cidade.
Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se depois para o Cartaxo, no mesmo distrito, e deslocou-se de barco à freguesia de Valada, onde cerca de seis centenas de pessoas de quatro aldeias (Valada, Reguengo de Valada, Porto de Muge e Palhota) estão isoladas desde quarta-feira.
Além de dois botes dos Bombeiros do Cartaxo que asseguram diariamente o abastecimento de alimentos e medicamentos, a partir de quinta-feira, a CP disponibilizou uma automotora que faz a ligação entre Setil e Porto de Muge, uma vez por dia.
Acompanhado apenas dos repórteres de imagem, devido à falta de lugares nas embarcações, o chefe de Estado disse depois que encontrou a população com um estado de espírito de "resistência e ânimo espetaculares".
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