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Mário Tomé e Pedro Soares entre os 60 bloquistas que saem do partido porque o seu "Bloco de Esquerda acabou"

Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares têm assumido nos últimos anos uma posição crítica para com a direção do partido.

14 de julho de 2026 às 12:37

Um grupo de 60 bloquistas, entre os quais o histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, anunciaram esta terça-feira a saída do Bloco de Esquerda por considerarem que o seu partido acabou e criticando o rumo dos últimos anos.

"Sem pena, dadas as circunstâncias expostas, mas lamentando o fim de um projeto que se destinava a unir amplos setores da sociedade por uma alternativa contra a hegemonia neoliberal, tendo como horizonte a radical transformação da sociedade, deixamos de ser bloquistas porque o nosso Bloco acabou", referiram num comunicado enviado às redações.

Entre os militantes que estão de saída e que já assumiram diferentes responsabilidades no partido, destaque para o histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, que se tem assumido nos últimos anos como crítico da direção.

"O Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com entusiasmo e empenho já não o é. Sabendo que muitos dos que ainda permanecem são genuínos militantes por uma esquerda de combate", referiram ainda.

Ao longo do texto voltam a ser feitas muitas críticas às decisões do partido nos últimos anos -- que chegou a ser a terceira força política no parlamento e agora tem apenas um deputado único --, sobretudo a partir do fim da geringonça.

"A maioria da direção afastou-se do pulsar e do sentimento popular, burocratizou-se e institucionalizou-se, ficou insensível à crítica interna e sem projeto político autónomo credível", sintetizaram.

Sobre o período em que o BE assinou um acordo parlamentar com o PS de António Costa, estes críticos consideram que houve uma ilusão do "restrito núcleo dirigente", que "cedo transformou um acordo fruto das circunstâncias numa estratégia que o fez perder autonomia política".

Para estes agora ex-militantes, "a perda sucessiva de eleitos, sendo muito significativa e contínua, foi sintoma evidente de acentuada quebra de influência política e social" e "tornou-se insustentável".

"A centralização das decisões num Secretariado sem competências para tal, mas omnipotente, levou ao afastamento de quem expressava posições críticas ou alternativas, nomeadamente de muitos que lhe tinham dado o primeiro fôlego aquando do seu aparecimento, levou à desmotivação e mesmo ao abandono de centenas de militantes, de muitos dirigentes nacionais e distritais", disseram.

Estes críticos apontaram ainda o dedo ao "desprezo pela organização de base".

"Da resposta política certa, o Bloco embarcou acriticamente na 'geringonça'. Afeiçoou-se à ideia de doces entendimentos e, a despeito e contra o seu próprio programa transformador, colocou como objetivo central, proclamado na Convenção de 2019, a participação no Governo, numa triste rendição a uma social-democracia, por sua vez dissolvida no neoliberalismo", condenaram.

Para estes bloquistas que anunciam agora a sua saída "errar é humano" e "reconhecer o erro também o é".

"Porém, o núcleo dirigente impôs-se autocraticamente, recusando uma reflexão autocrítica, recusando fazer qualquer balanço da ação política do Bloco fossem quais fossem os resultados, caluniando, perseguindo mesmo, as vozes críticas que alertavam para a perda de influência e credibilidade políticas e para a necessidade de mudança de rumo".

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