Luís Marques Mendes é o novo presidente do Partido Social Democrata (PSD), passando a liderar a Oposição parlamentar em Portugal. O novo líder obteve mais 116 votos que Luís Filipe Menezes, o outro candidato à liderança que se apresentou no XXVII Congresso do partido, em Pombal, Leiria.
Durante toda a manhã, os 950 delegados ao Congresso do PSD votaram para quatro órgãos do partido (Mesa do Congresso, Comissão Política Nacional, Conselho de Jurisdicção Nacional e Conselho Nacional - e nas moções estratégicas apresentadas. Ao todo, os delegados tiveram de ponderar sobre 16 listas.
Manuela Ferreira Leite (proposta por Mendes), com 549 votos, impôs-se a Luís Todo Bom (Menezes), com 316 votos, na corrida para a presidência da Mesa do Congresso, cargo até agora ocupado por Dias Loureiro.
Para o Conselho de Jurisdicção foram eleitos quatro elementos propostos por Mendes e três escolhidos por Menezes. Para os 55 assentos no Conselho Nacional foram eleitos 19 elementos propostos por Mendes e 11 por Menezes.
A moção apresentada por Marques Mendes foi a mais votada (435 votos), seguida pela de António Borges (291) e pela de Luís Filipe Menezes (280). De acordo com os estatutos, a moção mais votada é a única aprovada. É o documento estratégico elaborado por Mendes e intitulado "Portugal Quer um PSD Forte".
O economista António Borges, envolto numa certa mística sebastianista, reconheceu que os resultados obtidos pela sua moção superou as expectativas.
Luís Marques Mendes conquistou a presidência do PSD (mais propriamente a presidência da Comissão Política Nacional) com 497 votos. A candidatura de Luís Filipe Menezes obteve 381 votos. Significa isto que Mendes foi eleito líder com 56,6% dos votos e Menezes obteve 44,4%.
Para o autarca de Gaia é uma autêntica vitória, já que chegou ao Congresso 'afogado' numa espécie de onda vitoriosa que acompanhou Marques Mendes e saiu com mais votos do que muitos esperavam. O Congresso correu-lhe bem, mas não o suficiente. O próprio Menezes tinha essa convicção, quando esta manhã lançou uma 'farpa' indirecta a Marcelo Rebelo de Sousa, que ontem previa para o autarca menos de 18% dos votos.
"OBRIGADO PELA CONFIANÇA"
Homem de grande experiência na política de segunda linha, Marques Mendes assumiu esta tarde o protagonismo total no 'palco' do PSD. No discurso de vitória, o novo líder prometeu tudo fazer para corresponder e honrar o compromisso por si assumido e em si confiado pelos militantes para um novo ciclo na vida do partido.
"Conto com todos", referiu Marques Mendes, saudando Luís Filipe Menezes e apontando para a necessidade de união dentro do PSD, talvez o seu maior desafio. "A clarificação está feita, a unidade começa agora", sublinhou.
O líder declarou que está virado um capítulo na História do partido e prometeu cumprir a sua proposta para "um novo estilo de fazer política". Desde logo, Marques Mendes elegeu três áreas prioritárias de vigilância da actuação do Governo de José Sócrates - finanças públicas, economia e políticas sociais - e prometeu exigência na análise e firmeza na denúncia.
Mendes quer fazer uma Oposição de agenda política própria, sublinhada já à partida na ameaça velada feita ao Governo: se Sócrates aderir à agenda de outros partidos, contará com a oposição do PSD a uma revisão constitucional; um argumento que já havia usado na campanha para a liderança. O novo líder pediu também colaboração e lealdade ao Presidente da República e a sua atenção vigilante à agenda governamental, particularmente em matéria de referendos (Tratado Constitucional europeu e Aborto).
Ficou também a promessa de apresentar as listas dos candidatos autárquicos num prazo de duas semanas. "Temos pressa, porque Portugal tem pressa." É este o ritmo de Marques Mendes, num tabuleiro político para o qual já lançou os 'dados' da vigilância firme à actuação do Governo socialista e para o qual traçou também as fronteiras: "Somos oposição ao Governo mas não somos oposição a Portugal".
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