Ex- ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares apontou as oportunidades e riscos que o pacto pode ter para a União Europeia e para os países da América do Sul.
Miguel Miranda Relvas, ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares no governo de Pedro Passos Coelho, considerou que o 'histórico' acordo entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul - Mercosul - assume "um significado estratégico que ultrapassa largamente o comércio". O português marcou presença no primeiro Fórum de Integração Mercosul-União Europeia, em São Paulo, no Brasil, esta quarta-feira, onde foram discutidos os desafios e oportunidades para a inserção das empresas brasileiras no bloco europeu.
Para o gestor, este acordo deve ser lido como um "movimento geopolítico num sistema internacional em transição". À União Europeia permite "afirmar uma autonomia estratégica" por meio da diversificação de parcerias, considerando a importância que a economia da China tem na América do Sul. Miguel Relvas admitiu que o reforço dos laços com o Mercosul - leva a "União Europeia a procurar evitar uma marginalização progressiva na região e preservar capacidade de influência normativa e económica". Mais do que a exportação de bens, está em causa a exportação de regras, conseguindo "projetar o modelo regulatório para além das suas fronteiras". Para os países do Mercosul, do ponto de vista geopolítico, o acordo reduzirá a dependência face aos mercados asiáticos, nomeadamente do chinês, para onde vão as principais matérias-primas exportadas, considerou Miguel Relvas. O português referiu ainda a redução das "vulnerabilidades" dos países sul-americanos e do aumento do seu "poder negocial no cenário internacional".
O social-democrata é da opinião que acordos como este transparecem a capacidade do "comércio poder continuar a ser um instrumento de estabilidade estratégica e não apenas de competição".
Apesar das oportunidades, o gestor tem em conta riscos. Miguel Relvas aponta o "custo reputacional" do pacto para a União Europeia, frisando a importância da UE conseguir equilibrar a prática comercial e as políticas relacionadas com as alterações climáticas. Para os países do Mercosul, frisa Miguel Relvas, a "abertura" à União Europeia "poderá aprofundar assimetrias estruturais se não for acompanhada de políticas de modernização produtiva". Segundo o gestor, o sucesso do acordo prende-se com a capacidade do mesmo revelar-se "sustentável a longo prazo".
No final da intervenção, a apelar à unidade e liderança na União Europeia e Mercosul, Miguel Relvas citou o filósofo Maquiavel que dizia que “não podemos ser os profetas desarmados”, explicando que estes preveem o futuro mas não têm os meios para o influenciar.
«Temos que querer poder liderar e como referiu Alexandre ‘O Grande’ “um exército de ovelhas liderado por um leão, vencerá sempre um exército de leões liderado por uma ovelha”», concluiu o português.
Recorde-se que o acordo, que visa reduzir as tarifas alfandegárias entre os dois blocos, foi assinado a 17 de janeiro, depois de mais de 20 anos de negociações. O Mercosul é integrado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
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