Governante diz que é preciso ter em conta que as necessidades são muitas e que esta foi uma crise com aspetos múltiplos.
A ministra da Administração Interna disse esta segunda-feira, em Alvaiázere, que desconhece o que falhou sobre o atraso na disponibilização de meios aos territórios mais afetados pela depressão Kristin.
"O sistema é complexo e as entidades coordenadores do sistema de proteção civil têm todo o cuidado de garantir a colaboração entre todos", disse Maria Lúcia Amaral, à entrada para uma reunião no quartel dos bombeiros daquele município do distrito de Leiria.
A governante disse que é preciso "ter em linha de conta que as necessidades são muitas, de vários lados, e que esta foi uma crise com aspetos múltiplos, de comunicações e falha de energia, que pode ter contribuído para que se sentisse a falta durante mais tempo".
Esta manhã, o presidente da Câmara de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, o presidente da Câmara de Alvaiázere, concelho gravemente afetado pela depressão Kristin, pediu "desesperadamente apoio de bombeiros", porque os da corporação local estão exaustos.
"Os nossos bombeiros voluntários têm sido exemplares, têm estado com elevada disponibilidade todos os dias, mas estão a ficar exaustos. Vemos por essa região fora e também noutras regiões vizinhas corporações de bombeiros a apoiarem os bombeiros dos territórios que foram afetados. Em Alvaiázere, já pedimos e pedimos e pedimos e ainda não tivemos apoio de nenhuma corporação de bombeiros", disse à agência Lusa.
Esta tarde, muitos antes da visita da ministra da Administração Interna chegou um grupo de bombeiros da zona da Guarda, constituído por cerca de 20 elementos, e também um grupo de 19 militares do Exército para ajudar nas ações mais prioritárias.
À saída da reunião com a Proteção Civil de Alvaiázere, Maria Lúcia Amaral disse que foram discutidos "dois pontos fundamentais: acorrer às pessoas com maior dificuldade de casa e comunicação e prevenir os riscos da semana que aí vem, com previsões de agravamento meteorológico".
Aos jornalistas a governante rejeitou falhas no envio mais atempado de militares para o terreno, afirmando que, "desde o início, todos têm feito o possível para que a colaboração conjunta que aqui ficou personificada seja realizada".
O presidente da Câmara de Alvaiázere reconheceu que se tivesse tido reforços o auxílio à população estaria muito mais avançado, apontando para uma janela temporal "muito curta" para as reparações antes das condições meteorológicas se agravarem novamente.
Salientando que o município conta atualmente com 25 desalojados, embora já tivessem sido uma centena, João Paulo Guerreiro teme que o número possa crescer exponencialmente face à quantidade de pessoas que sofreram grandes estragos nas suas habitações.
"Com o agravamento das condições meteorológicas, tememos, se nada for feito, que o número de desalojados venha a ser muito mais, por isso a nossa preocupação e apreensão [ao pedir ajuda], sublinhou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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