Rita Alarcão Júdice disse que compreende e acompanha "a indignação e a preocupação" do primeiro-ministro.
A ministra da Justiça disse esta sexta-feira já ter tido conversas com Ministério Público e Polícia Judiciária, estando a ser feita "uma reflexão" sobre as críticas deixadas pelo primeiro-ministro por não sido informado das ameaças da extrema-direita.
"Acho que todos nós faremos uma reflexão, a começar por quem tem responsabilidade na matéria, faremos todos uma reflexão para que esse tipo de situações, quando for necessário comunicar, sejam comunicadas. (...) Já conversámos com as entidades envolvidas, é natural que essas conversas aconteçam", disse a ministra da Justiça.
À margem da cerimónia de celebração dos 50 anos do primeiro Estatuto da Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução (OSAE), que esta sexta-feira decorreu na Assembleia da República, Rita Alarcão Júdice, disse não querer "apontar críticas" nem à Polícia Judiciária (PJ), nem ao Ministério Público (MP), mas disse que "há sempre margem de melhoria".
Questionada sobre se pediu mudanças a estas entidades na sequência das críticas públicas esta sexta-feira deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o facto de não ter sido informado das ameaças que o grupo de extrema-direita Movimento Armilar Lusitano (MAL) lhe dirigiu, bem como à sua família e residência, a ministra sublinhou que "não dá instruções" à PJ, mas disse haver "uma reflexão" sobre as críticas do primeiro-ministro.
"Ninguém fica indiferente a uma situação como a que foi relatada, não só pela dimensão do problema, da ameaça, de ser a própria casa que fica ameaçada, o nível de armamento que era mencionado (...) e por isso temos de fazer uma reflexão. Estamos a fazer essa reflexão e acho que podemos sempre melhorar", disse.
Rita Alarcão Júdice disse que compreende e acompanha "a indignação e a preocupação" do primeiro-ministro.
"Acho que este caso nos serviu como um alerta a todos, em várias dimensões. Não só nessa necessidade de informação ao próprio [primeiro-ministro], ou ao corpo de segurança que os acompanha. (...) Portanto, acho que essa informação representando um perigo real deve ser transmitida naturalmente a todos. Aliás, o primeiro-ministro esta sexta-feira não distinguiu entre primeiro-ministro e qualquer cidadão, porque é uma situação de uma grande angústia", disse a ministra.
"Nós, quando somos eleitos, estamos preparados para o confronto político, para outro tipo de ameaças não estávamos, mas temos, se calhar, de estar preparados", acrescentou.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, lamentou esta sexta-feira ter tido conhecimento de que era alvo de ataques planeados pelo grupo de extrema-direita Movimento Armilar Lusitano (MAL) à sua casa pelas notícias, dado não ter sido contactado pelas autoridades.
Luís Montenegro foi questionado sobre a acusação do Ministério Público (MP), conhecida na quinta-feira, em que nove arguidos, um dos quais um chefe da PSP que estava ao serviço da Polícia Municipal de Lisboa, são acusados no processo relacionado com o grupo de extrema-direita MAL por crimes de terrorismo, imputando-lhes o planeamento de ações futuras contra alvos políticos, partidos, jornalistas e académicos.
O grupo neonazi liderado por um chefe da PSP é acusado de vários crimes e, segundo a acusação do MP citada em vários órgãos de comunicação social, terá chegado a planear um ataque à residência oficial do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Parece-me que, se estiver em causa uma ameaça da gravidade daquela que foi veiculada, da possibilidade de utilizar engenhos explosivos e armamento militar contra uma habitação de um cidadão, que isso não possa ser alvo, naturalmente, de uma informação para todos os efeitos ditos por convenientes para assegurar a segurança das pessoas em causa", referiu o primeiro-ministro.
Questionado se esta era uma crítica às autoridades, Luís Montenegro rejeitou, criticando antes "a forma como a informação foi conhecida das pessoas visadas".
"Vou, com esta intervenção que aqui estou a fazer, creio eu, alertar os respetivos responsáveis para aquilo que devem fazer em situações iguais a esta, independentemente da pessoa em causa ser primeiro-ministro ou ser um cidadão qualquer, em qualquer parte do país", adiantou.
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