Segundo a ministra, o Governo "começou a agir sobre as urgências", sublinhando que, neste momento, se verifica uma redução entre 30% e 35% dos casos não urgentes.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou esta quarta-feira "muito difícil manter" a atual rede de 168 urgências hospitalares com segurança clínica, tendo em conta os recursos humanos disponíveis.
"Nem que duplicássemos os recursos humanos que hoje temos, e não vamos duplicar (...) não conseguiríamos manter a segurança clínica, com a segurança para os utentes, com a humanização que pretendemos. Enfim, é muito difícil manter esta rede como a temos hoje", afirmou Ana Paula Martins na conferência "Inovação em Saúde, Despesa ou Investimento?", em Lisboa.
Segundo a ministra, o Governo "começou a agir sobre as urgências", sublinhando que, neste momento, se verifica uma redução entre 30% e 35% dos casos não urgentes.
Reconheceu, contudo, que o país ainda está "longe" de ter a rede de urgências que precisa ter, e sublinhou que qualquer reorganização exige trabalho preparatório, negociações com sindicatos, ordens profissionais e equipas multiprofissionais, bem como a criação de incentivos.
"Quem executa tem a responsabilidade de ter esse bom senso, essa prudência, porque sabe que vai ter que responder perante essa matéria", comentou.
Segundo a governante, a sustentabilidade do SNS depende também de uma reforma da organização do sistema, defendendo que "a verdadeira questão não é tanto quanto custa inovar, mas quanto custa não inovar".
A responsável afirmou que o Governo considerou a saúde "efetivamente um investimento" e sustentou que a inovação necessária ao SNS vai além da introdução de novos medicamentos ou tecnologias, passando por uma transformação da organização do sistema de saúde.
"É por isso que a reforma do Estado na saúde, que também agora finalmente chegará, pretende seguir um modelo de governação que seja mais amigo do cidadão, das famílias, também dos cuidadores, das unidades de saúde e dos seus profissionais e das empresas" baseado na simplificação, na redução da burocracia, em mais autonomia, maior transparência e na valorização dos recursos humanos.
"A inovação que defendemos não se mede apenas pela tecnologia. Mede-se pelo valor que cria para as pessoas", afirmou, acrescentando que as inovações mais relevantes são as que colocam os cidadãos no centro, melhoram os resultados em saúde e reforçam simultaneamente a acessibilidade e a eficiência do sistema.
Sobre a inteligência artificial, afirmou que esta "não é a solução para todos os desafios", mas "uma grande ajuda" e "um auxiliar muito importante para a inteligência humana".
Acrescentou que Portugal foi o primeiro país europeu a aderir a uma rede internacional de boas práticas nesta área e defendeu que o futuro Sistema Nacional de Acesso à Consulta e Cirurgia (SINAC) deverá recorrer a esta tecnologia para apoiar a gestão do acesso dos utentes.
Relativamente aos medicamentos inovadores, reconheceu que representam novos desafios em matéria de avaliação, financiamento e sustentabilidade, mas assegurou que o objetivo do Governo não é atrasar o acesso à inovação.
Destacou, por isso, a aprovação do novo Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde, defendendo que "avaliar a inovação não é atrasar a inovação", mas decidir "em tempo útil", com transparência, tendo em conta o interesse público, a capacidade financeira do país e os custos de oportunidade.
A conferência foi promovida pela Convenção Nacional da Saúde (CNS) e pelo Conselho da Saúde, Prevenção e Bem-Estar da CIP.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da CNS, Eurico Castro Alves, salientou "a importância suprema" da inovação em saúde, defendendo que Portugal deve continuar a garantir aos cidadãos o acesso às terapêuticas e técnicas inovadoras.
Alertou, contudo, que esse objetivo exige um compromisso alargado entre os diferentes intervenientes do setor da saúde.
"O nosso país caracteriza-se por ter um bom sistema de saúde" e por assegurar aos cidadãos "o que há de melhor" em matéria de tratamentos, afirmou, ressalvando, contudo, que essa capacidade "está sempre em risco", devido às dificuldades económicas e aos desafios da organização do sistema.
Nesse sentido, enquadrou a inovação na proposta do Presidente da República de um pacto para a saúde, defendendo que os investimentos necessários obrigam a opções de médio e longo prazo e ao consenso entre partidos, empresas, instituições, ordens profissionais e restantes intervenientes do setor, para que Portugal continue a assegurar o acesso às terapêuticas e técnicas inovadoras.
"Toda a sociedade e todos os 'stakeholders' do setor da saúde têm que trabalhar em conjunto, têm que fazer acordos para conseguirmos ter sempre aquilo que temos tido até agora, que é acesso às terapêuticas e técnicas inovadoras na saúde", sustentou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.