Tal como já tinha afirmado na sexta-feira, a ministra considerou que o chumbo da sua proposta de lei constituiu "uma oportunidade perdida".
A ministra do Trabalho elogiou este sábado o "sentido de Estado" de Luís Montenegro por recusar colocar em causa a sustentabilidade do sistema de Segurança Social e afirmou acreditar que o primeiro-ministro insistirá na reforma das leis laborais.
Maria do Rosário Palma Ramalho, ministra independente no executivo liderado por Luís Montenegro - e que viu na sexta-feira, no parlamento, ser chumbada a sua proposta de lei de revisão das leis laborais -, foi recebida com uma prolongada salva de palmas pelos delegados sociais-democratas presentes no Congresso Nacional do PSD, que decorre em Anadia, distrito de Aveiro.
Logo que o nome de Maria do Rosário da Palma Ramalho foi anunciado pelo presidente da Mesa do Congresso, Miguel Albuquerque, os delegados levantaram-se para a aplaudir.
Perante os congressistas, Maria do Rosário da Palma Ramalho, visivelmente comovida com a receção de que foi alvo, defendeu que, enquanto ministra do Trabalho, apenas lhe coube apresentar e defender a proposta de revisão das leis do trabalho.
"Mas queria agradecer publicamente o total empenho e comprometimento do primeiro-ministro neste projeto e o suporte total e público que deu em todas as etapas deste processo. E, se bem o conheço, lá iremos outra vez fazer esta e outras reformas pelos portugueses e por Portugal", declarou, aqui numa nota de cariz puramente político, na parte final do seu discurso.
Antes, embora sem falar diretamente sobre uma das principais reivindicações do Chega, a ministra do Trabalho já tinha elogiado o "sentido de Estado" de Luís Montenegro por, na sua opinião, ter recusado ceder a exigências para baixar a idade da reforma.
"Apesar de não desejarmos o desfecho do processo legislativo em torno da reforma das leis do trabalho, o resultado é mais uma demonstração do sentido de Estado do primeiro-ministro".
Luís Montenegro "recusou trocar a passagem [na generalidade] desta reforma pela baixa da idade de acesso à pensão e pelo plafonamento, o que inevitavelmente quebraria o contrato de confiança entre os portugueses e o Estado quanto à garantia das suas pensões futuras. Nestas circunstâncias, quero dizer que a opção do Governo não poderia ter sido outra, a bem dos portugueses", sustentou.
Tal como já tinha afirmado na sexta-feira, a ministra considerou que o chumbo da sua proposta de lei constituiu "uma oportunidade perdida" para melhorar a competitividade da economia portuguesa.
"Todos conhecem as vicissitudes deste projeto, a transparência que lhe imprimimos, as dezenas de reuniões, mas também o grau incrível de desinformação sistemática e a politização do sindicalismo nacional. E todos conhecem bem os nossos adversários: uns que por não suportarem não estar no Governo fizeram desta reforma uma afronta pessoal; e outros que votam em função da sondagem do dia e das tendências do TikTok", acusou, numa alusão, respetivamente, ao PS e ao Chega.
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