Fernando Alexandre sugeriu que a indução dos professores nas escolas deve começar mais cedo, ainda durante a licenciatura.
O ministro da Educação reconheceu esta quarta-feira que a aposentação de milhares de professores nos próximos anos será um dos principais desafios para manter os níveis elevados de conhecimento pedagógico que caracterizam atualmente a classe docente.
"Temos um número muito significativo de professores que vão reformar-se (...) e isso terá algum efeito no conhecimento pedagógico dos professores, porque um número muito significativo de professores experientes vai deixar a profissão na próxima década", disse Fernando Alexandre durante um 'webinar' promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre o relatório "Teacher Knowledge Survey 2024", divulgado esta quarta-feira.
No estudo, que avaliou pela primeira vez de forma comparável entre países os conhecimentos pedagógicos, os professores portugueses destacam-se por serem os que apresentam mais conhecimentos pedagógicos, o que lhes permite lidar melhor com os desafios da sala de aula e fazer com que os alunos aprendam melhor.
Além da formação inicial e de vias rápidas como a profissionalização em serviço, a experiência profissional também entra na equação, em particular em Portugal, onde os professores com mais de 10 anos de carreira apresentam níveis de conhecimento pedagógico mais elevados em comparação com os colegas em início de carreira.
Com um corpo docente envelhecido -- a idade média dos professores em Portugal ronda os 51 anos -- e a saída para a aposentação de cerca de 4.000 professores por ano, o sistema de ensino vai perder muita dessa experiência nos próximos anos.
Recordando o suplemento remuneratório criado em 2024 para os professores que aceitam adiar a reforma, o ministro da Educação, Ciência e Inovação explicou que, além de responder ao problema da falta de docentes, a medida procura também prolongar a partilha de conhecimento, numa altura em que estão também a entrar muitos novos professores no sistema.
Durante o 'webinar', o Fernando Alexandre reconheceu a importância da formação pedagógica e reiterou o compromisso do Governo, através de medidas como os contratos-programa para reforçar a formação de professores e o pagamento das propinas aos alunos dos cursos de Educação.
A propósito da formação inicial, o ministro sugeriu também que a indução dos professores nas escolas deve começar mais cedo, ainda durante a licenciatura.
"Temos de pensar na formação de professores e na forma como o fazemos", disse o governante.
O relatório revela também que os professores com mais conhecimentos pedagógicos, que habitualmente têm mais facilidade em ensinar, estão distribuídos por todas as escolas portuguesas.
"Surpreende-me, porque quando olhamos para os resultados dos alunos, temos desigualdades significativas", admitiu Fernando Alexandre.
Ainda assim, a OCDE refere que seria preciso transferir 11% desses docentes para se conseguir uma distribuição equitativa para todos os alunos.
Em Portugal, a maioria dos professores do ensino obrigatório possui formação pedagógica, garantida através de mestrados em ensino e da profissionalização docente.
Cerca de 94% dos professores em Portugal fizeram formação inicial regular, sendo este um dos valores mais elevados entre os países participantes, sublinha o estudo.
Com falta de professores e milhares de alunos sem aulas, as escolas portuguesas sentiram necessidade de contratar cada vez mais licenciados com formação própria: Se no ano letivo de 2014/2015 representavam 1,6% dos professores, passaram a ser 6,5% em 2022/2023.
No ano passado, o Ministério da Educação voltou a abrir um concurso para recrutar cerca de 1.700 novos docentes com habilitação própria, à semelhança do que já tinha acontecido no ano anterior.
Entretanto, o ministério já lançou programas especiais com instituições de ensino superior para que estes professores possam fazer, gratuitamente, a formação necessária para obter a habilitação profissional.
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