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Montenegro diz que artigo de Cavaco "caiu que nem uma luva" na ação do Governo

Histórico do PSD apelou à necessidade de fazer reformas com vista ao crescimento da economia.

27 de março de 2026 às 14:34

O primeiro-ministro considerou esta sexta-feira que o artigo de Cavaco Silva "caiu quem nem uma luva" num Conselho de Ministros com "decisões de transformação" e sublinhou que o Governo apenas tem apoio de 91 deputados e "os demais são oposição".

No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, Luís Montenegro foi questionado sobre o artigo publicado no semanário Expresso intitulado "O dinheiro não cai do céu", no qual o ex-Presidente da República e antigo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva pede a Luís Montenegro "forte determinação e coragem política" para fazer reformas de forma a permitir o crescimento da economia.

"Li com toda a atenção e encontrei nele vários ângulos de correspondência com aquilo que o Governo tem vindo a fazer e a desenvolver. Eu diria mesmo que, não tendo havido nenhuma espécie de articulação, o artigo caiu que nem uma luva naquilo que foram as decisões do Conselho de Ministros na medida em que hoje mesmo tomámos decisões importantes de transformação", defendeu.

Montenegro considerou que "há uma grande correspondência" entre o pensamento de Cavaco Silva e do executivo, dizendo que o "motiva e incentiva a prosseguir e a levar ainda mais longe esse esforço que é estratégico" de ter Portugal com um crescimento económico superior a 3%, "mais perto dos 4% do que dos 3%".

Montenegro foi questionado se as críticas de Cavaco Silva ao Chega desacreditam este partido como parceiro do Governo e, sem responder diretamente, remeteu para o atual quadro parlamentar.

"Até 2029, nós temos 91 deputados que apoiam este Governo e todos os demais são deputados da oposição que nós teremos de convencer a não obstaculizarem as propostas que apresentamos ao parlamento e que teremos de ouvir democraticamente com humildade para podermos democraticamente construir as soluções que são necessárias para o país", referiu.

Cavaco Silva escreve que "sem as reformas necessárias ao crescimento robusto da economia há um sério risco de reforço das forças políticas populistas e de deterioração da qualidade da nossa democracia".

O antigo chefe de Estado reconhece que o executivo PSD/CDS-PP tem revelado "espírito reformista" e acusa a oposição de "ações de desgaste visando impedir a concretização das reformas, a que junta a tentativa de governar o país a partir da Assembleia da República".

Com fortes críticas aos principais partidos da oposição, o ex-Presidente faz, contudo, distinção entre o PS -- que admite que "acabará por perceber" as necessidades do país - e o Chega, que acusa de "enganar e iludir os portugueses".

Cavaco acrescenta ainda, como antigo ministro das Finanças e do Plano de Francisco Sá Carneiro, estar "absolutamente convencido de que ele lutaria com todas as suas forças contra o discurso e as ideias do líder do Chega".

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