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Montenegro garante contrariar quem não confia no caminho do Governo incluindo OCDE

Declarações surgem após a organização ter recomendado prudência com medidas orçamentais expansionistas.

08 de janeiro de 2026 às 18:00

O primeiro-ministro prometeu esta quinta-feira continuar a contrariar quem não confia no caminho escolhido pelo Governo para aumentar a competitividade da economia, mesmo que seja a OCDE, após a organização ter recomendado prudência com medidas orçamentais expansionistas.

"Nós não temos perante a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] o seguidismo do PS, vamos continuar a contrariar aqueles que não confiam neste caminho, estejam eles onde estiverem, mesmo na OCDE", afirmou Luís Montenegro em debate na Assembleia da República, em resposta ao deputado e secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.

O líder comunista sugeriu ainda ao primeiro-ministro que aproveite a "derrota política" com a rejeição do pacote laboral demonstrada pela adesão à greve geral de 11 de dezembro para criar "o pacote necessário", que é "o pacote dos salários", "das condições de vida" e do "respeito por quem trabalha e põe o país a funcionar".

Em resposta ao repto, Luís Montenegro garantiu que o Governo está "absolutamente empenhado" num pacote que promova uma maior competitividade da economia e que permita aumentar salários e baixar impostos, apesar das recomendações da OCDE.

"O caminho para isso é as empresas terem lucro, ó senhor deputado não tenha medo do lucro das empresas, [...] estamos aqui com firmeza, com convicção, com a certeza de que não temos sempre razão, mas sabemos que o caminho é este: criar mais riqueza, que as empresas sejam mais lucrativas", vincou o primeiro-ministro.

Para Paulo Raimundo, "o caminho é criar mais riqueza para a distribuir melhor". "Não é o que se passa no nosso país", considerou o líder do PCP.

Na terça-feira, na apresentação de um relatório da OCDE sobre Portugal, o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, disse que o Governo está alinhado com a recomendação da OCDE para "analisar cuidadosamente novas medidas orçamentais com caráter expansionista" e assegurou que as reduções do IRS e IRC "são para implementar".

Paulo Raimundo acusou também o Governo de fazer negócio de tudo, sendo que onde "prejudica mais" o país "é na venda da saúde ao negócio da doença", lembrando os recentes casos de atrasos no serviço de emergência, com três mortes registadas.

"O que é preciso mais acontecer para compreender que o seu caminho de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde [SNS] é um erro para o país e tem consequências na vida das pessoas", questionou o líder comunista, acusando o Governo de agravar os problemas do SNS por opção política e ideológica.

Relativamente à ação dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela, o deputado do PCP criticou que, "perante um Estado que agride outro" e "sequestra o seu Presidente", o Governo tenha reconhecido "a legitimidade do agressor". "Fica o registo para o futuro", vincou Raimundo.

Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

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