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“Não há nada pior para um Presidente do que não ter alternativa”

Marcelo quer ter vias alternativas à direita se tudo falhar no acordo com os partidos à esquerda: PS, BE e PCP.

31 de julho de 2017 às 01:30

O Presidente da República deu uma longa entrevista de duas horas ao ‘Diário de Notícias’ na qual aborda os temas mais relevantes da atualidade. Marcelo Rebelo de Sousa continua a exigir responsabilidades no roubo de armas em Tancos, aguarda pelas conclusões das investigações à tragédia de Pedrógão Grande e deixa recados políticos: por um lado, avisa a esquerda de que é preciso continuar a cumprir o défice; por outro, pede uma presença mais forte ao PSD e ao CDS-PP.

Justiça e a greve

"Para mim os juízes são titulares de órgãos de soberania. E, portanto, o Presidente da República, por uma questão de sensatez e de respeito à Constituição, não deve opinar [sobre a ameaça de greve dos juízes] e olha com muita atenção para aquilo que é a interpretação do Conselho Superior de Magistratura".

Banca e CGD

"Acompanho aquilo que é a preocupação da administração da Caixa de cumprir uma meta para ter ali um banco forte ao serviço da economia, mas também sou sensível sobretudo àqueles com uma situação mais deprimida do ponto de vista económico e que podem sofrer com certas medidas [subida das comissões]."

Governo e OE 2018

"Assim como as oposições devem ser fortes e vigorosas, também a área da governação deve ser coesa. Aproxima-se o Orçamento do Estado para 2018, o que eu espero é que haja, como resultado final das conversações sobre este Orçamento, um tipo de conclusões quanto ao entendimento dos vários parceiros que seja idêntico ao que houve nos Orçamentos para 2016 e 2017. Seria bom para o País que não houvesse a introdução de fatores críticos do ponto de vista político. (...) Os partidos que fazem parte da área do Governo têm de decidir em cada momento ao longo da legislatura se querem ou não durar até ao fim da legislatura."

Peso da Oposição

"A missão da oposição não é fácil (...). Passos Coelho teve um resultado como líder de coligação superior ao resultado do PS, que veio a formar Governo (...) e, portanto, tinha de fazer essa experiência de passagem à oposição ficando no Parlamento. Tenho de reconhecer que é uma tarefa muito difícil para quem foi primeiro-ministro. É fundamental que as oposições (...) sejam fortes. Não há nada pior para um Presidente da República do que não ter dois termos de alternativa fortes. Porque no caso de existir uma situação crítica, aguda, insuperável num dos termos da alternativa, é bom ter outro termo da alternativa que possa governar."

Pedórgão Grande

"A missão da oposição não é fácil (...). Passos Coelho teve um resultado como líder de coligação superior ao resultado do PS, que veio a formar Governo (...) e, portanto, tinha de fazer essa experiência de passagem à oposição ficando no Parlamento. Tenho de reconhecer que é uma tarefa muito difícil para quem foi primeiro-ministro. É fundamental que as oposições (...) sejam fortes. Não há nada pior para um Presidente da República do que não ter dois termos de alternativa fortes. Porque no caso de existir uma situação crítica, aguda, insuperável num dos termos da alternativa, é bom ter outro termo da alternativa que possa governar."

Armas de Tancos

"Foi in loco [ida a Tancos], tal como aconteceu nos incêndios, que fiquei com as minhas interrogações e ilações, mas valem o que valem, e que reafirmei a ideia de que tem de ser apurado tudo integralmente. Portanto, continuo na mesma posição, não mudei um milímetro. (...) Em Portugal, temos muitas vezes a noção de que se resolvem os problemas tapando o sol com a peneira. Não se resolvem. A resolução dos problemas passa por quem tem de investigar, investigar até ao fim. (...) Pois se eu digo que se devem investigar factos e responsabilidades, ou há razão para haver responsabilidades ou não há. Se há, há de haver responsáveis."

Negócio da Altice

"No meu entendimento, o negócio da Altice [compra da TVI] não é nada melindroso por isto: há regras e reguladores e havendo regras e reguladores do que se trata é os reguladores aplicando as regras, no sentido amplo de princípios e regras concretas, verificarem se esses princípios são ou não são respeitados."

Nomes da ERC

"Era obviamente importante que tivesse havido acordo entre os partidos há muito tempo, porque esta solução é uma solução transitória desde novembro do ano passado. Por isso (...) terá de ser nestas circunstâncias que a entidade [Reguladora para a Comunicação Social] tem de deliberar [na compra da TVI]."

Venezuela alerta

"É preciso que as pessoas percebam o seguinte: na situação vivida na Venezuela, como em qualquer outro país numa situação análoga, as autoridades são supersensíveis àquilo que se diz. Nem é aquilo que se faz, é àquilo que se diz acerca da situação vivida e, a última coisa que se pode fazer, é criar problemas adicionais."

Bomba atómica

"Se me pergunta se eu gostava de evitar a bomba atómica [a dissolução da Assembleia da República] porque o País estava em condições tais  que ela era evitável, gostava. Quem é que não gosta de evitar a bomba atómica? Utiliza-se a bomba atómica só porque é imprescindível usar a bomba atómica."

Futuro em Belém

"No verão, por esta altura daqui a três anos, eu olharei para a realidade e pensarei assim: eu tenho um dever ético, um dever cívico, de me recandidatar ou não tenho? (...) Se eu tiver o dever estrito de me candidatar, candidato-–me, [se] não tenho o dever estrito de me candidatar, não me candidato."

Redução do défice

"Temos de continuar a controlar o défice, ele tem de descer e o Governo comprometeu-se com 1,5%; temos de, além disso, acelerar o crescimento – eu já coloquei a bitola, para alguns até muito alta, porque coloquei-a na ordem dos 3% – para ser possível cumprir os objetivos do equilíbrio externo e interno."

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