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O ‘rapaz do tanque’ que recusou disparar no 25 de Abril

O cabo herói do carro de combate que desafiou as ordens de um brigadeiro do regime.

26 de março de 2014 às 18:12

Um dos momentos decisivos do 25 de Abril de 1974 continua na penumbra da história. É conhecido que o cabo José Alves Costa, apontador de um carro de combate das forças fiéis ao regime, contrariou as ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia. Quarenta anos depois, não se sabe porque desobedeceu: fê-lo por não saber disparar - ou afrontou corajosamente o oficial-general?

O livro que foi ontem apresentado - ‘Os Rapazes dos Tanques', de Alfredo Cunha (fotografia) e Adelino Gomes (texto) - dá o esclarecimento que faltava. O cabo Alves Costa, segundo recordou aos autores do livro, não chegou a afrontar o brigadeiro: decidiu trancar-se no interior do blindado - e lá dentro ficou, em segurança, a salvo da ira de Junqueira dos Reis, que, de pistola em punho, ameaçava dar-lhe um tiro na cabeça.

Mas o que realmente contou para a marcha da revolução, na manhã daquela quinta-feira de 1974, foi a desobediência do cabo Alves Costa: não disparou contra o comandante da coluna revoltosa. O próprio Salgueiro Maia deixou marcada para sempre a importância desse momento decisivo: "Aqui é que se ganhou o 25 de Abril".

O cabo Alves Costa, da Póvoa de Varzim, explica pela primeira vez, 40 anos depois, a verdadeira razão que o levou a tirar o dedo do gatilho: "O comandante do carro, o alferes Sottomayor, deu ordens para ninguém fazer fogo", disse ao CM. É uma regra de ouro dos ‘rapazes dos tanques' - só recebem ordens do comandante do carro.

Lançamento no local simbólico da Revolução

O livro ‘Os Rapazes dos Tanques', editado com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, foi lançado num dos locais simbólicos do 25 de Abril - o Terreiro do Paço -, onde a coluna de Salgueiro Maia enfrentou a maior reação por parte das forças fiéis ao regime.

A obra, que reúne fotografias históricas da revolução, foi apresentada pelo coronel Matos Gomes - um dos capitães de Abril que, na altura do golpe, fazia parte da estrutura clandestina do MFA na Guiné. Presentes, ainda, outros ‘capitães de Abril' - como Vasco Lourenço, Sousa e Castro, entre outros - e o general Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República eleito da era democrática nascida há 40 anos.

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