Nível de crescimento económico também foi motivo de críticas,
A oposição à esquerda na Assembleia da República defendeu esta quarta-feira que o país está pior ao fim de dois anos de governação PSD/CDS-PP com Luís Montenegro como primeiro-ministro e acusou o Governo de propaganda.
No período de declarações políticas em plenário, PS, PCP e Livre escolheram como tema os dois últimos anos de executivos PSD/CDS-PP e deixaram críticas ao custo de vida, ao estado dos serviços públicos, em particular do Serviço Nacional de Saúde (SNS), e à resposta aos danos causados pelas tempestades.
O nível de crescimento económico também foi motivo de críticas. Pelo PS, o deputado Carlos Pereira afirmou que a AD (PSD/CDS-PP) prometeu "fazer a economia crescer de forma significativa" e obteve "o pior resultado em quinze anos", 1,9%, em 2025.
"Os senhores estão há dois anos a prometer coisas e falharam todas, e a principal que falharam foi na economia", sustentou o vice-presidente do grupo parlamentar do PS, que apontou também a dimensão da carga fiscal, alegando que é "a segunda pior de sempre da história de Portugal".
Pelo Livre, o deputado Tomás Pereira declarou que a carga fiscal está atualmente no valor registado em 2018 e que o país está longe de atingir a meta de crescimento económico de 3%: "Uma meta que o atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, entendia ser fácil de atingir quando era deputado do PSD", referiu.
Luís Montenegro foi diretamente visado por Carlos Pereira, que acusou o primeiro-ministro de "autoglorificação" e de estar "desligado do mundo onde vivem as pessoas de carne e osso, embrulhado numa bolha de propaganda e num molhe de presunções, quase nenhuma capaz de se confirmar com factos".
No balanço do PS, "o país da AD, depois de 730 dias de governo, resume-se a algumas promessas embrulhadas em planos redondinhos, como o da emergência para a saúde cujo remédio trazia a cura em seis meses e teríamos o SNS das maravilhas".
Por sua vez, o secretário-geral do PCP considerou que, "por maior que seja a propaganda, a ilusão e os anúncios" do Governo, "Portugal não está melhor e a vida da maioria está pior".
Paulo Raimundo disse que o custo de vida sobe e os serviços públicos se degradam, enquanto os grupos económicos atingem lucros recorde.
Por outro lado, o secretário-geral do PCP responsabilizou o Governo, bem como Chega e IL, pela subida do custo de vida, por serem "apoiantes da guerra" no Irão e pediu "coragem para condenar" o conflito e "afirmar Portugal como um país empenhado na paz".
O líder comunista criticou ainda o executivo pela demora na atribuição dos apoios às vítimas das tempestades, que comparou ao que aconteceu na resposta aos incêndios: "Foram muitas as promessas, mas a realidade é a mesma de sempre, esperar e desesperar, e mais uma vez populações e municípios entregues à sua sorte".
Segundo o Livre, a governação PSD/CDS-PP "continua sem apresentar resultados e a revelar não ter soluções".
O deputado Tomás Pereira defendeu que o país está pior na saúde, não está melhor na educação e que os preços da habitação se encontram 27% acima dos valores que se verificavam há dois anos.
"Sem resultados para apresentar, PSD e CDS procuram distrair os cidadãos com uma agenda de guerras culturais", advogou.
O PS acusou ainda o Governo de "orientações arcaicas sobre a lei do trabalho" que "promoveram a inédita unidade entre as duas grandes sindicais", CGTP e UGT, e criticou igualmente o preço das casas, o estado da saúde, a resposta aos danos das tempestades e à subida dos preços dos combustíveis.
"Nada que tire o sono a Montenegro: entre um jogo de futsal e uma viagem radical sem cinto de segurança, o primeiro-ministro aclarou que ainda não é tempo para mais ajudas", atirou Carlos Pereira.
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