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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Oposição torce nariz a plano do Governo para o interior

Social-democrata Álvaro Amaro fala em “leilão” de medidas e socialista Rui Santos espera "atos”. CDS diz que falta quantificar custos

16 de julho de 2018 às 01:30

Quer à esquerda, quer à direita, o pacote anunciado pelo Governo este fim de semana para a valorização do interior está longe de causar entusiasmo. No PSD há quem torça o nariz ao "leilão de medidas". E mesmo no PS, como é o caso do autarca de Vila Real, Rui Santos, lamenta--se que se tenha ficado por palavras de "esperança".

O presidente dos autarcas social-democratas, Álvaro Amaro, classifica como "desgarradas" as iniciativas do Governo, e lembra que, há um mês, afirmou temer que até ao Orçamento se assistisse "ao leilão das medidas para o interior".

Já o líder dos autarcas do PS, Rui Santos, considera que o Executivo tenha ficado "só na esperança". Ontem, em declarações ao ‘Expresso’, afirmou: "Ficamos ansiosamente à espera que o Governo passe das intenções aos atos".

Sem grande entusiasmo, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, quer esperar para ver, mas sublinha a "omissão" no plano sobre que papel cabe ao Estado. Por isso questiona: "Sem serviços públicos como é que alguém pode ficar na terra onde nasceu ou cresceu."

Para o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que ontem visitou zonas afetadas pelos incêndios nos concelhos de Santa Comba Dão e de Tábua, o Governo de António Costa deveria mostrar que defende o interior dando apoio à reconstrução das habitações e à atividade económica ligada à floresta que as chamas destruíram em 2017.

As medidas até podem ser positivas, admite Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP. Contudo, o deputado centrista questiona o facto de não haver qualquer calendarização das mesmas, nem quantificação dos custos associados ao programa. Recorda, em oposição, as propostas fiscais de apoio a quem vive no interior que o seu partido apresentou a semana passada. E lembra que estão avaliadas em 0,3% do PIB.

PORMENORES

Fixar empresas

Uma das metas do Governo é fixar mais empresas no interior do País. Há 1700 milhões disponíveis e um programa de captação de novas companhias.

Reduzir custos de contexto

O programa prevê a redução do IRC pago pelas empresas do interior. As portagens nestas áreas vão ser reduzidas.

Transferir serviços

O Executivo assegurou que a abertura de novos serviços públicos só terá lugar no interior. A isto junta-se a mudança de serviços existentes e benefícios para funcionários transferidos.

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