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Ordem dos Engenheiros critica nomeação de enfermeiro para estrutura de missão de renováveis

Ordem dos Engenheiros defende que funções de coordenador da EMER 2030 exigem competências de engenharia.

12 de fevereiro de 2026 às 14:33

A Ordem dos Engenheiros manifestou perplexidade com a nomeação de um licenciado em enfermagem para coordenador da EMER 2030, defendendo que as funções exigem competências de engenharia.

Em comunicado, a Ordem dos Engenheiros afirma que manifesta a sua "perplexidade perante o despacho publicado esta segunda-feira em Diário da República, que formaliza a nomeação de um técnico com formação superior em enfermagem para o exercício das funções de coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030)".

A entidade sustenta que, "atendendo às áreas de intervenção da EMER 2030", a coordenação exige "competências e experiência próprias de profissionais de engenharia, em particular de engenheiros eletrotécnicos e/ou engenheiros especialistas na área da energia, detentores de conhecimentos técnicos essenciais no domínio das energias renováveis e na gestão dos recursos energéticos nacionais".

Recordando as atribuições da estrutura criada em março de 2024, a Ordem sublinha que estão em causa matérias que "configuram atos de engenharia, com elevadas exigências ao nível da responsabilidade técnica e da confiança pública", reiterando "a necessidade de reavaliação imediata dos critérios que sustentaram a nomeação para a coordenação da EMER 2030".

A EMER tem como missão a criação de condições para a agilização dos processos de concretização dos projetos de energias renováveis inscritos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), entre as quais o desenvolvimento de um calendário anual de atribuição de nova capacidade renovável ou a implementação e gestão do Balcão Único para o licenciamento e monitorização de projetos da área.

Após a publicação do despacho com a nomeação de Fábio Teixeira, o presidente da EMER 2030, Manuel Nina, tinha dito à Lusa que a designação respeitou os critérios legais e técnicos aplicáveis, sublinhando a experiência profissional do nomeado na gestão de projetos e procedimentos, incluindo acompanhamento de concursos, gestão financeira e contratação pública.

"Esta designação foi feita com total respeito pelos critérios legais e técnicos aplicáveis e com base na comprovada qualificação e relevante experiência profissional ligada à gestão de projetos e procedimentos", defendeu Manuel Nina.

Segundo a nota curricular associada ao despacho, o novo coordenador é licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto desde 2018, tendo posteriormente concluído uma pós-graduação em Gestão de Projetos pela Porto Business School e obtido certificações profissionais em gestão de projetos (PMP) e metodologias ágeis (CSPO).

O percurso profissional inclui funções como gestor de projetos em consultoria tecnológica, envolvendo projetos de desenvolvimento e implementação de 'software'.

Além disso, inclui cargos em gabinetes governamentais, onde exerceu funções de assessoria técnica e acompanhamento de projetos, nomeadamente no gabinete da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, não constando na nota curricular referências a experiência profissional ou formação nas áreas do ambiente, sustentabilidade ou energias renováveis.

Já o Ministério do Ambiente e Energia tinha explicado que a gestão interna da estrutura é da responsabilidade do presidente da EMER, acrescentando que os trabalhos se encontram em fase avançada e que a estrutura será extinta no final do ano.

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