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Correio da Manhã

Política
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Partido 'CHEGA' inicia formalização para ser alternativa "à direita que parece não existir"

Para André Ventura, "é preciso coragem em democracia para defender isto".
23 de Janeiro de 2019 às 14:52
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Partido 'CHEGA' inicia formalização para ser alternativa "à direita que parece não existir"
O movimento Chega entregou esta quarta-feira mais de 7.500 assinaturas no Tribunal Constitucional, iniciando assim o processo de formalização enquanto partido, com o objetivo de ser uma alternativa "ao centro direta e à direita que parece não existir" atualmente.

Depois de ter sido recebido à porta do Palácio Ratton por cerca de duas dezenas apoiantes, o presidente da Comissão Instaladora do Chega, André Ventura, entregou ao Tribunal Constitucional (TC) os estatutos e a declaração de princípios exigidas por lei para formalizar a constituição de um novo partido, bem como "bastantes centenas acima das 7.500" assinaturas.

"Avisámos já o tribunal que vamos entregar mais, porque ainda esta quarta-feira estavam a chegar muitas do país inteiro, que já não pudemos juntar a este processo", disse aos jornalistas.

Segundo André Ventura, antigo autarca eleito pelo PSD, o Chega pretende ser "um partido que vem essencialmente para ser alternativa ao centro direta e à direita que parece não existir" atualmente.

"Não só desde que o doutor Rui Rio tomou conta do PSD, mas desde que a direita decidiu esquecer-se que era centro direita e direita. O Chega vai ocupar esse espaço e vai dizer a António Costa [primeiro-ministro] que o tempo sem oposição já acabou em Portugal", salientou.

Por isso, o objetivo passa por concorrer já às eleições europeias e também às legislativas, que se disputam este ano.

Mas, por agora, o próximo passo, segundo André Ventura, será a realização de uma convenção nacional "no final de fevereiro, início de março", e só aí será anunciado o candidato às eleições europeias.

"Para já, não temos ainda isso definido, mas o grande objetivo é eleger deputados nas eleições europeias e, sobretudo, nas eleições nacionais. O que os portugueses esperam de nós não é fugir para lado nenhum, é estar cá a lutar por aquilo em que acreditamos", assinalou.

Questionado se o Chega será um partido de extrema-direita, o antigo vereador da Câmara Municipal de Loures disse não se preocupar muito com rótulos, mas acrescentou: "se querem chamar de extrema-direita, chamem".

Apontando que o "importante é os portugueses saberem que há um partido que veio para mudar" as coisas, André Ventura reiterou as propostas já conhecidas.

"Castrar os pedófilos quimicamente, prender para sempre homicidas de primeiro grau e violadores, reduzir os deputados para 100, se isto é extrema-direita, então talvez sejamos de extrema-direita", disse.

Para André Ventura, "é preciso coragem em democracia para defender isto", e "populista, ou não, é o que as pessoas pensam", por isso "o Chega vai mudar a lei".

Confrontado com comparações entre si e o presidente brasileiro, o fundador deste movimento que agora quer ser partido, sublinhou que "o Chega não tem nada de Bolsonaro, o Chega é português, nasce para lutar por Portugal e vai lutar por Portugal".

Depois de entregar a documentação junto do TC, André Ventura aproveitou também para referir que "o Chega não vai deixar de dizer o que tem que dizer, independentemente das pressões" e das "ameaças de inconstitucionalidade".

"Se neste país em que vivemos, democrático, um tribunal, ou uma qualquer instância, dissesse que por haver medidas contrárias à Constituição, não vamos permitir que esse partido exista, então eu acho que temos de repensar muito a democracia em que vivemos", acrescentou.

Na opinião de André Ventura, isso significaria "coisa grave".

"Significa que há 40 e muitos anos houve um grupo de pessoas que definiu para sempre o que podemos e o que não podemos ser e isso eu não admito. Eu acho que cada geração tem o seu papel. E a nossa geração certamente tem um papel a dizer sobre aquilo que quer para Portugal. Se é contrário a algumas normas da constituição? Sim, é e não o escondemos", afirmou.
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