Reações surgem após os EUA anunciarem ataques à Venezuela e a captura do presidente venezuelano e da mulher.
Os partidos portugueses já começaram a reagir ao ataque dos EUA à Venezuela e à captura de do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da mulher. O casal está num navio norte-americano a caminho de Nova Iorque para ser julgado, indicou Donald Trump.
PCP "condena veementemente a agressão militar" dos EUA à Venezuela e pede a libertação de Maduro
O PCP condenou este sábado o ataque norte-americano à Venezuela e o que qualificou de sequestro do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua mulher, ações que considera constituírem uma "gravíssima violação do direito internacional".
"O PCP condena veementemente a agressão militar contra a República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da sua esposa por parte dos Estados Unidos (EUA)", afirmou o Partido Comunista Português em comunicado.
Os comunistas portugueses instam também ao "fim da agressão militar e à imediata libertação do Presidente da Venezuela e demais cidadãos venezuelanos pelos Estados Unidos".
O PCP sublinhou que o Governo português deve "condenar de forma clara a agressão militar" dos Estados Unidos que "atenta contra a soberania da República Bolivariana da Venezuela, os direitos do povo venezuelano, incluindo da comunidade portuguesa" no país.
Para os comunistas, a agressão norte-americana "visa impor o domínio sobre a Venezuela e o saque dos seus imensos recursos, nomeadamente do petróleo".
"O ataque representa simultaneamente uma ameaça à soberania e aos direitos dos outros povos da América Latina e Caraíbas e de todo o mundo, como mostram os bombardeamentos dos EUA a países do Médio Oriente e de África", adiantou o comunicado.
O PCP apelou ainda "à expressão da solidariedade com a Venezuela bolivariana" e com "a luta do povo venezuelano em defesa da paz e do direito a determinar soberanamente o seu próprio caminho".
Livre mostra-se solidário com o povo venezuelano e insta o Governo português a agir
O Livre repudiou hoje o "ato de agressão internacional" por parte dos Estados Unidos na Venezuela e expressou a sua "total solidariedade com o povo venezuelano".
"Estas ações, que se afiguram como a primeira implementação da doutrina de segurança nacional norte-americana recém-anunciada, estão em clara violação do direito internacional e merecem condenação inequívoca", afirmou o Livre em comunicado.
Na nota, o partido sublinhou que a ONU, os países da NATO, o Congresso e o Senado norte-americanos não foram informados destas manobras militares pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Para o Livre, Trump enquadrou estas ações como inseridas na sua campanha de combate ao tráfico de droga, justificação que "colide com o interesse demonstrado recentemente pelos EUA nas reservas de petróleo venezuelanas".
Estas ações "estão em clara violação do direito internacional e merecem condenação inequívoca", adiantou o comunicado.
O Livre apelou ao Governo português para agir com "o máximo sentido de responsabilidade e garantir a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela".
Ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o partido pediu para que trabalhasse "no sentido de estancar a ação militar norte-americana e impedir que os EUA se tornem juiz e carrasco de um regime de mais um país soberano".
Apelou igualmente à União Europeia (UE) para "distanciar-se da ingerência norte-americana e estar pronta a ajudar o povo venezuelano".
O partido sublinhou que tem condenado o Governo venezuelano, que qualifica como "um regime autocrático com historial de violação dos direitos humanos", afirmando, no entanto, que isso em nada justifica a "aventura militar de Trump e o rapto do presidente da Venezuela, ao arrepio de todos os princípios do direito internacional".
O Livre defendeu que aceitar esta agressão norte-americana "abre a porta a outras intervenções norte-americanas já insinuadas por Trump, como a anexação da Gronelândia".
"A prossecução desta doutrina deve fazer soar alarmes junto das instituições da União Europeia, cujos interesses são ameaçados pelo desrespeito pelo direito internacional", acrescenta-se no comunicado.
CDS-PP espera que "derrube do ditador" Maduro represente transição para democracia
O CDS-PP mostrou-se hoje preocupado com a comunidade portuguesa na Venezuela, mas disse esperar que "o derrube do ditador ilegítimo" Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos, represente uma transição para a democracia.
"O CDS-PP acompanha com atenção os desenvolvimentos da situação na Venezuela e deseja que o derrube do ditador ilegítimo, Nicolás Maduro, represente, simultaneamente, o fim do regime chavista e uma transição para a democracia a que os venezuelanos aspiram", lê-se no comunicado dos centristas.
O partido liderado por Nuno Melo, que integra o Governo de Luís Montenegro, expressa "a sua preocupação e solidariedade" para com os cerca de meio milhão de portugueses e lusodescendentes na Venezuela, embora espere que "esta transição possa significar progresso e melhoria de condições de vida para a comunidade portuguesa".
Na nota assinada pela sua direção, o CDS-PP deseja ainda que seja encontrada "uma solução, no quadro do direito internacional, que garanta, com o fim da ditadura de Maduro, a paz e a reposição das liberdades democráticas e dos direitos humanos naquele país".
O presidente norte-americano anunciou hoje um "ataque em grande escala" na Venezuela para a captura do chefe do Estado venezuelano, Nicolás Maduro, que está a bordo de um navio de guerra americano e que será julgado em Nova Iorque, de acordo com Donald Trump.
O Governo de Caracas denunciou uma "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos, após a ocorrência de explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.
IL sublinha especiais preocupações com comunidade portuguesa na Venezuela
A Iniciativa Liberal defendeu hoje que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela "é discutível em vários pontos do direito internacional", sublinhando as especiais responsabilidades de Portugal para com a comunidade portuguesa residente no país.
"Todos os planos de atuação devem estar em prontidão, sobretudo diplomáticos e humanitários", afirmou a Iniciativa Liberal (IL) em comunicado, referindo-se ao papel do Estado português relativamente à situação na Venezuela.
Os liberais salientaram que a posição do partido sobre a Venezuela é clara e que sempre condenaram o regime liderado pelo Presidente Nicolás Maduro, assente em "eleições fraudulentas, repressão política e violação sistemática dos direitos humanos, esvaziando a legitimidade democrática das instituições venezuelanas".
Quanto à legalidade da intervenção militar norte-americana, a IL considerou que "é discutível em vários pontos do direito internacional" e que neste momento "são necessárias mais explicações".
"O uso de soluções unilaterais que passam pelo uso da força em desrespeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas põe em causa a legalidade internacional, com o risco de enfraquecer os princípios que sustentam a ordem internacional e gerar precedentes perigosos", adiantou o comunicado.
A Iniciativa Liberal sublinhou que espera que o povo venezuelano possa agora "viver em independência e liberdade, tomando o seu destino nas próprias mãos".
"A única saída duradoura para a Venezuela passa por devolver ao povo venezuelano o direito de escolher livremente o seu futuro, com a realização de eleições livres, justas e supervisionadas pela comunidade internacional", adiantou o comunicado.
"O ditador caiu", acrescentou a IL, reforçando que o regime de Maduro era um "patrocinador do terrorismo internacional, mantinha mais de 1.000 presos políticos e promovia milícias populares que atuavam contra o próprio povo".
PS define como "absolutamente inadmissível" intenção de Trump de dirigir o país
O responsável pelas Relações Internacionais do PS, Francisco Assis, considerou hoje "absolutamente inadmissível" a intenção dos Estados Unidos de dirigirem a Venezuela, qualificando-a como "um retrocesso" e apelando a uma condenação por parte da União Europeia.
"Sobretudo, causou-me perturbação a ideia de que os Estados Unidos vão agora governar, administrar a Venezuela. Isto é um grande retrocesso. Estamos a regressar a uma época histórica que pensávamos completamente ultrapassada. Não faz qualquer sentido, viola todas as regras elementares, constitui uma má mensagem para o mundo, cria um atrito entre o mundo ocidental e as restantes partes do mundo que é altamente negativa, nomeadamente para nós, europeus", avaliou, em declarações à Lusa.
Francisco Assis reagia às declarações do Presidente norte-americano, que afirmou que os Estados Unidos vão "dirigir a Venezuela" até estar concluída uma transição de poder.
"Esta declaração do Presidente [Donald] Trump é absolutamente inadmissível nos seus pressupostos, na sua substância, naquilo que se propõe fazer. Não é assim que se resolvem os problemas", defendeu.
Para o responsável pelas Relações Internacionais do PS, os Estados Unidos cometeram "um erro muito grave" ao deterem Nicolás Maduro e a mulher Cilia Flores numa operação relâmpago noturna das forças especiais.
"Em primeiro lugar, esta atitude merece condenação, porque constitui uma violação grosseira da legalidade internacional, como sabemos. E, para além disso, constitui um erro do ponto de vista dos próprios interesses, da própria regulação do sistema internacional. Isto porquê? Porque cria, de facto, um ambiente de imprevisibilidade, de receio e de medo até em várias zonas do mundo e, em particular, na América Latina", justificou.
Embora lembre que o Nicolás Maduro não tinha legitimidade, uma vez que "as últimas eleições foram uma autêntica farsa", o antigo eurodeputado socialista declarou que "não é por esta via ilegítima que se vai agora resolver um problema de ilegitimidade do governo da Venezuela".
"Compreendo que haja, entre os venezuelanos que estão no exílio, um grande contentamento pela queda do Maduro. Compreendo perfeitamente essa situação. Mas a verdade é que não é esta a forma de resolver os problemas, não é esta a forma de contribuir para a democratização de um país", sustentou.
Assim, Francisco Assis instou a União Europeia (EU) a ser "firme na condenação deste comportamento por parte da administração norte-americana".
"Os Estados Unidos são um grande aliado, são um país amigo, são um país com quem a Europa tem um relacionamento preferencial, mas até por isso nós temos a obrigação de dizer claramente que não concordamos com este tipo de atuação e que este tipo de atuação prejudica o mundo e prejudica muito em particular os próprios Estados Unidos e a UE, porque nos isola mais no quadro internacional", completou.
O responsável pelas Relações Internacionais do PS acredita que a UE deveria "fazer todos os esforços" no sentido de dissuadir Trump de governar a Venezuela.
"Penso que a UE, [...] perante esta declaração, tem que ter um gesto, tem que ter uma atitude, tem que ter palavras mais duras do que aquelas que foi tendo ao longo do dia de hoje, porque é inaceitável a ideia de que os Estados Unidos vão governar a Venezuela, que as empresas petrolíferas americanas vão tomar conta do setor petrolífero venezuelano. Aí sim, já estamos perante não apenas a extração de um dirigente político, estamos perante uma invasão da Venezuela e isso é totalmente inaceitável", concluiu.
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