Líder do PS não desistiu da ideia de um Governo de esquerda.
As pensões atribuídas a partir de 2016 poderão ser alvo de novos cortes através do reforço do fator de sustentabilidade, cujo agravamento tem vindo a provocar descidas acentuadas no montante das reformas. A medida é encarada na coligação PSD/CDS-PP como um dos meios que poderão contribuir para obter uma poupança de 600 milhões de euros na Segurança Social.
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas reúnem-se hoje com António Costa, e a Segurança Social deverá ser um dos temas centrais do encontro entre os três líderes partidários.
Ao que o CM apurou, a coligação PSD/CDS considera que o défice da Segurança Social tem de ser resolvido com soluções que permitam reduzir a despesa e aumentar a receita: por um lado, admite-se a possibilidade de reforçar o atual fator de sustentabilidade, que este ano é de 13,02%, reduzindo a despesa através de um corte mais elevado nas novas pensões; por outro, admite-se a diversificação das fontes de receita como meio de dotar o sistema de mais verbas.
Uma das novas fontes de financiamento das pensões poderá passar pelo aumento da taxa do IVA social, que é aplicada sobre a receita total do IVA: em causa está a possibilidade de afetar uma parte das verbas do IVA social ao financiamento das reformas, o que agora não acontece.
Para já, a coligação PSD/CDS parte de "espírito aberto", na expressão de um dirigente da coligação, para as negociações com o PS.
O certo é que o PS vai impor, na reunião de hoje, condições duras a PSD e CDS, e, por outro lado, segundo apurou o CM, ainda não desistiu da ideia de um Governo de maioria de esquerda, especialmente depois de o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, ter dado abertura para viabilizar um Executivo liderado pelo PS.
No entanto, só na próxima segunda-feira, depois da reunião com o BE, António Costa terá todos os dados para avaliar essa possibilidade. Fonte socialista lembrou ao CM que uma maioria de esquerda vai ao encontro da posição de Cavaco Silva, que, em 30 de maio último, defendeu um Governo "com apoio maioritário" na Assembleia da República. Esta hipótese esbarra, no entanto, no setor mais conservador do PS.
Ex-padre pelo PCP e Nóvoa resiste
Edgar Silva, 53 anos, antigo padre católico, membro do Comité Central e deputado na Assembleia Legislativa Regional da Madeira desde 1996, é o candidato do PCP às eleições presidenciais, marcadas para janeiro.
O anúncio foi feito ontem pelo líder do PCP, Jerónimo de Sousa, que garantiu que a candidatura "é a valer" e "para ir a votos". Ou seja, na primeira volta, o PCP não abandona a corrida eleitoral.
Quem também não desiste, apesar de ter sido pressionado para o fazer, é Sampaio da Nóvoa. O ex-reitor da Universidade de Lisboa convocou ontem uma conferência de imprensa, de surpresa, para dizer aos jornalistas que fica, mesmo sem o apoio do PS ou de outro partido. "Faz falta um Presidente da República que seja capaz de representar todos os portugueses e de construir compromissos históricos num tempo tão exigente", avisou o candidato.
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