"Sendo apresentada como uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia, esta é, de facto, uma guerra dos Estados Unidos da América (EUA) e da NATO com a Rússia", considera o partido comunista.
O PCP considerou esta quinta-feira de "particular gravidade" o "posicionamento de submissão" do Governo português perante a "escalada armamentista" na Ucrânia, e defendeu ser premente que "os Estados Unidos, NATO e União Europeia cessem de instigar e alimentar a guerra".
Num comunicado com o título "Pela paz! Pôr fim à escalada de confrontação e guerra!", o PCP considera que a "realidade está a demonstrar que sendo apresentada como uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia, esta é, de facto, uma guerra dos Estados Unidos da América (EUA) e da NATO com a Rússia, no quadro da estratégia de domínio hegemónico do imperialismo norte-americano".
Segundo o PCP, neste quadro estratégico, "a Ucrânia e o poder ali instalado são usados como instrumento dessa perigosa ação belicista, à custa do sacrifício do povo ucraniano".
"O imperialismo está cada vez mais empenhado na criação de graves focos de tensão e de guerra com o objetivo de justificar a sua política de exploração e opressão, o que é patente no incremento da ingerência, da agressão, da imposição de sanções e bloqueios a países que não se submetem aos seus ditames, em que se enquadram a escalada contra a Rússia e a crescente confrontação contra a China", acusam os comunistas.
Neste contexto, o PCP defende que "assume particular gravidade o posicionamento de submissão e alinhamento do Governo português com a escalada armamentista e de agravamento do conflito no Leste da Europa, contrário aos interesses do povo português e à Constituição da República portuguesa, que pugna pela resolução pacífica dos conflitos internacionais".
O partido considera ser "premente que os EUA, a NATO e a União Europeia (UE) cessem de instigar e alimentar a guerra na Ucrânia e que se abram vias de negociação com os demais intervenientes, nomeadamente a Federação Russa, visando alcançar uma solução pacífica para o conflito".
"O PCP repudia as pressões e chantagens sobre os países que mantêm uma posição própria sobre o conflito, não alinhando com a escalada belicista dos EUA, da NATO e da UE, e alerta para que a tentativa de instrumentalizar a Organização das Nações Unidas (ONU) em função da estratégia mina os seus fundamentos e a usa própria existência", defende o partido.
Sem citar qualquer país em concreto, mas numa altura em que a China diz ter um plano de paz para a Ucrânia, o PCP afirma que "valoriza os apelos, as iniciativas e as propostas de mediação com vista a uma urgente solução política do conflito".
Ao mesmo tempo, denuncia também "as manobras do imperialismo que visam obstaculizar o necessário diálogo com vista à promoção da paz, da cooperação, da segurança e do desarmamento".
"Na atual situação, em que por todo o mundo se expressa inequivocamente a aspiração à paz, assume a maior importância a resistência e luta de países e povos em defesa da sua soberania e direitos, incluindo o direito ao desenvolvimento, pela construção de uma nova ordem internacional de paz e progresso social", indica o partido.
O PCP salienta que urge "pôr fim" à guerra, que "dura há nove anos", e alerta que "a escalada armamentista e o consequente prolongamento e intensificação" do conflito comporta "acrescidas e graves consequências e perigos para os povos ucraniano e russo, para os povos da Europa e de todo o mundo".
"É cada vez mais evidente que são os trabalhadores e os povos que estão a pagar os custos da instigação da guerra, da deriva militar, da espiral de sanções promovidas pelos EUA, a NATO e a UE, visíveis no aumento dos preços dos bens de primeira necessidade, no ataque aos direitos e às condições de vida, no agravamento da pobreza e das desigualdades, na deterioração da situação económica e social", refere-se.
Para o PCP, "é cada vez mais ostensivo que quem ganha com a guerra e quer o seu prolongamento são as grandes empresas de armamento, da energia, da alimentação, da distribuição ou banca, que acumulam milhares de milhões de lucros".
Perante este contexto, o partido expressa "a sua solidariedade para as vítimas de uma guerra que dura há nove anos" e considera "de grande importância as ações em prol da paz que têm sido realizadas em Portugal".
"O PCP reitera o seu firme compromisso com a luta pela paz, pela verdade, contra o militarismo, o fascismo e a guerra, por uma política externa de Portugal de soberania nacional, amizade, paz e cooperação com todos os povos do mundo", conclui o comunicado.
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