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PCP diz que agravamento dos problemas é deliberado e faz parte de plano do Governo

Líder parlamentar do PCP afirmou que a situação económica e social se agravou.

15 de julho de 2026 às 07:38

A líder parlamentar do PCP acusou o Governo de agravar deliberadamente os problemas do país, considerando a degradação dos serviços públicos parte de um plano, e afirmou que a luta laboral será determinante para o futuro do executivo.

Em declarações à Lusa em antecipação do debate do estado da Nação da próxima quinta-feira, no Parlamento, Paula Santos afirmou que a situação económica e social se agravou e que "a vida está pior", com maiores dificuldades na saúde, habitação e educação devido "às opções políticas deste Governo".

"São as consequências das opções políticas e aquilo que está a acontecer é deliberado, ou seja, é um plano, é um objetivo por parte deste Governo", acusou a deputada comunista, atribuindo ao executivo a intenção de degradar os serviços públicos, em particular na saúde e na educação, para favorecer os grupos económicos.

Paula Santos apontou também os problemas nos exames nacionais como consequência do "desmantelamento" do Ministério da Educação e da adoção de procedimentos "experimentalistas", defendendo que não estavam reunidas condições para avançar com a avaliação digital que tem estado na origem dos vários problemas relatados.

Nesta avaliação do trabalho do Governo, a líder parlamentar comunista criticou igualmente a criação da prestação social única (PSU), que classificou como uma "estigmatização dos pobres", e acusou o Governo de preparar um "assalto à Segurança Social".

Questionada sobre se o Governo terá condições para concluir a legislatura, Paula Santos destacou a derrota no Parlamento da revisão da lei laboral proposta pelo executivo, que atribuiu à mobilização dos trabalhadores.

"A luta dos trabalhadores é determinante", afirmou Paula Santos, considerando que o chumbo demonstrou que as políticas do Governo não são inevitáveis e que a unidade e a contestação social irão pesar no futuro do executivo.

"Eu creio que este aspeto é determinante, com o qual o Governo vai contar (...). Toda essa força, intervenção, unidade. Demonstra, de facto, como essa força é, de facto, muito, muito importante e que determina o futuro", defendeu.

Sobre os entendimentos parlamentares do Governo, Paula Santos começou por criticar o PS por ter viabilizado o Programa do Governo e o Orçamento do Estado para 2026, permitindo ao executivo aplicar "todas as políticas que têm sido prejudiciais para os portugueses e para o país".

Porém, a líder parlamentar apontou também para uma "grande convergência" entre PSD, CDS-PP e Chega, quer na "estigmatização dos trabalhadores imigrantes", quer no "favorecimento dos grupos económicos".

"Aquilo que estamos a ver por parte do PSD, do CDS e do Governo é, efetivamente, essa convergência e com o objetivo de salvar, de certa forma, a política de direita que pretendem prosseguir no nosso país, com todas as consequências negativas que estão à vista", concluiu.

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