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PCP em Lisboa manifesta "preocupações sérias" sobre Teatro do Bairro Alto e Museu do Aljube

Partido questionou as motivações da atual governação municipal de PSD/CDS-PP/IL, depois do afastamento dos diretores de ambos os espaços culturais.

13 de março de 2026 às 17:18

O PCP na Câmara de Lisboa manifestou esta sexta-feira "dúvidas e preocupações sérias" sobre o afastamento dos diretores do Teatro do Bairro Alto e Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, questionando as motivações da atual governação municipal de PSD/CDS-PP/IL.

"Em ambos os casos, os diretores encontravam-se em regime de comissão de serviço e foram afastados sem que a EGEAC [Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural] tenha apresentado quaisquer motivos ou critérios objetivos que justifiquem estas decisões", indicou a vereação do PCP, em comunicado.

Em causa está a decisão da empresa municipal EGEAC -- Lisboa Cultura de não reconduzir o diretor artístico do Teatro do Bairro Alto, Francisco Frazão, e a diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rita Rato.

Segundo a vereação do PCP, representada pelo eleito João Ferreira, os dois equipamentos culturais "têm percursos reconhecidos: as suas direções cessantes deixam balanços positivos em matéria de exposições, iniciativas culturais, captação de novos públicos e envolvimento da comunidade".

Para o PCP, a política cultural do município deve estar alicerçada em critérios de "transparência, estabilidade e valorização" dos projetos que contribuem para o desenvolvimento cultural da cidade e para a formação de "uma cidadania crítica e democrática".

"Este padrão de afastamentos levanta dúvidas e preocupações sérias sobre as motivações do atual executivo da Câmara Municipal de Lisboa [presidido pelo social-democrata Carlos Moedas], sobre a futura linha da política cultural que pretende desenvolver na cidade", considerou a vereação comunista.

Neste sentido, o vereador João Ferreira apresentou dois requerimentos dirigidos ao social-democrata Carlos Moedas, um sobre o Teatro do Bairro Alto e outro sobre o Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, exigindo esclarecimentos sobre as decisões de não recondução das direções de ambos os equipamentos culturais municipais tutelados pela EGEAC.

João Ferreira questiona ainda os critérios que determinaram os afastamentos e quais as orientações para o futuro dos espaços.

Além do PCP, também o BE na Câmara de Lisboa exigiu esclarecimentos de Carlos Moedas sobre a saída de Francisco Frazão e Rita Rato.

Na sequência destes afastamentos, a EGEAC -- Lisboa Cultura revelou hoje que o até aqui diretor do Teatro Municipal São Luiz, Miguel Loureiro, vai acumular funções como diretor do Teatro do Bairro Alto, enquanto o Museu do Aljube vai ser dirigido por Anabela Valente.

Em comunicado, a EGEAC revelou que "os restantes dirigentes dos equipamentos culturais serão reconduzidos nos respetivos nos cargos".

A empresa municipal referiu ainda que Anabela Valente, que substitui Rita Rato na direção do Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, estava destacada na EGEAC, depois de ter sido vogal do conselho de administração do Museu Nacional Ferroviário e anterior coordenadora do Gabinete de Estudos Olissiponenses.

Numa reação enviada à Lusa, o vereador do Livre, Carlos Teixeira, disse que a substituição das direções do Teatro do Bairro Alto e do Museu do Aljube, "levanta sérias questões sobre o rumo da política cultural na cidade".

"Que explicação dão o presidente da Câmara, Carlos Moedas, e a EGEAC para a substituição de duas direções associadas a projetos culturais amplamente reconhecidos", interrogou o vereador do Livre, considerando que é importante saber que garantias existem de que os equipamentos continuarão a assegurar "uma programação exigente, plural e comprometida com a reflexão crítica que os tornou incontornáveis no panorama cultural da cidade".

Referindo que Lisboa sempre se afirmou como "uma cidade aberta à diversidade cultural, ao pensamento crítico e à criação artística", Carlos Teixeira questionou ainda qual é o projeto cultural de Carlos Moedas para a capital, inclusive se defende "um modelo cultural mais fechado e alinhado com uma visão ideológica".

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