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Pinto Ramalho apoia críticas de militares

O novo chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), Pinto Ramalho, manifestou-se ontem “solidário” com as chefias militares, que recentemente enviaram uma carta ao ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, a alertar para os problemas das Forças Armadas. Já Luís Araújo, novo chefe de Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), desvalorizou a recente polémica da sua nomeação.

19 de dezembro de 2006 às 00:00

“Estou solidário com os chefes militares que a fizeram [a carta]”, afirmou Pinto Ramalho, em declarações aos jornalistas após a tomada de posse, presidida por Cavaco Silva, Presidente da República. E apenas concluiu: “Julgo que o que foi dito pelo ministro da Defesa e pelo CEMGFA [na altura, o almirante Mendes Cabeçadas] é resposta suficiente.” O documento, com data de 9 de Novembro, alertava para a “recente tendência de igualização dos militares a funcionários civis”, o que contribuiria para “minar os fundamentos éticos dos deveres militares.

Pinto Ramalho não quis aprofundar assuntos relativos ao Exército. No entanto, reiterou a defesa de um Estado-Maior e de um Controlo Operacional conjuntos aos três ramos das Forças Armadas.

Luís Araújo (CEMFA) desvalorizou o pedido de passagem à reserva por parte de quatro tenentes-generais. “Se estivesse no lugar deles, provavelmente faria a mesma coisa”, afirmou. E considerando que “há muita especulação”, anunciou que o “Conselho Superior da Força Aérea designou o nome de forma unânime”, no qual estavam presentes os tenentes-generais que efectuaram esse pedido.

Em relação aos processos de averiguações a pilotos da Força Aérea, que participaram numa manifestação, Luís Araújo não quis comentar por considerar que são assuntos de Justiça, e por não ter ainda conhecimento aprofundado dos casos. As constantes saídas de pilotos da Força Aérea para a aviação civil estão na agenda de Luís Araújo, que reconheceu que “é preciso manter a motivação”.

JOSÉ LUÍS PINTO RAMALHO, 59 anos

É desde Outubro de 2005 director do Instituto de Estudos Superiores Militares. Já esteve em Bruxelas como conselheiro militar.

LUÍS EVANGELISTA ESTEVE ARAÚJO, 57 anos

Foi promovido a tenente-general em 2004. É um dos raros oficiais da Força Aérea que exibe uma Cruz de Guerra.

"SOBRE ISSO NÃO COMENTO"

Na edição de ontem do CM foram divulgadas as conclusões de uma auditoria à gestão da Direcção-Geral de Política de Defesa Nacional, com data de 2004, altura em que Pinto Ramalho assumia o comando desta entidade. O relatório apontava para um controlo interno “pouco consistente” e com “disfunções e deficiências” relativamente às despesas deste organismo. O novo CEME recusou categoricamente comentar o relatório. “Sobre isso não faço qualquer comentário.”

Despesas de pessoal e de representação, abonos extras ao trabalho, ajudas de custo, reembolso de telefones e telemóveis pessoais e aquisição de bens foram os pontos mais criticados pela Direcção-Geral do Orçamento, que elaborou o relatório.

SEM MEDALHA

Durante a extensa cerimónia de cumprimentos, uma das medalhas que Luís Araújo exibe na sua farda desprendeu-se do casaco. O facto passou despercido e o novo CEMFA guardou-a no bolso.

A AUSÊNCIA

Na tomada de posse, presidida por Cavaco Silva, Presidente da República, estiveram presentes antigos Chefes de Estado. São os casos de Ramalho Eanes (1976-1986) e Jorge Sampaio (1996-2006). Mário Soares (1986-1996) faltou à cerimónia.

REFORMAS

Taveira Martins foi ontem susbstituído na chefia da Força Aérea. No entanto, não saiu sem antes assinar despachos de passagem à reforma de 14 sargentos daquele ramo.

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