O Instituto Militar dos Pupilos do Exército (IMPE) vai voltar a abrir vagas para novos alunos no próximo ano lectivo, dois anos depois de ter cancelado as admissões por razões orçamentais, conforme determina um despacho do ministro da Defesa, Paulo Portas, assinado anteontem e a que o CM teve acesso.
Segundo uma fonte do Governo, o despacho em causa “é o resultado da boa coordenação entre o ministro da Defesa, o secretário de Estado da Defesa e Antigos Combatentes, Henrique de Freitas, e o chefe do Estado-Maior do Exército, general Silva Viegas. Assim, dando seguimento ao diploma de Paulo Portas, Silva Viegas irá nos próximos dias proferir um despacho que abrirá o concurso de admissão a candidatos aos 5.º e 6.º anos do Ensino Básico para o próximo ano lectivo. Ainda não se sabe quantas vagas irão abrir, mas tanto quanto o nosso jornal conseguiu apurar, deverão rondar as 80.
Esta decisão de Portas não podia acontecer em melhor altura. Primeiro porque se está a comemorar o 92.º aniversário do IMPE e, segundo, porque será o próprio Silva Viegas a dar a ordem de abertura do concurso, o mesmo general que, em 2001, e dadas as circunstâncias orçamentais e de racionalização de meios, se viu obrigado a cancelar as admissões de novos alunos. Na altura, a decisão de Silva Viegas que, note-se, foi homologada pelo ministro da Defesa do governo do PS, criou grande polémica, chegando mesmo a falar-se no encerramento IMPE. A verdade é que o IPME não podia continuar a ser financiado apenas pelo orçamento do Exército e pelas propinas dos alunos, pelo que a opção foi não abrir mais vagas até a questão se resolver, o que poderia, efectivamente, passar pelo seu encerramento.
Portas, em colaboração com Silva Viegas, apresenta agora uma solução que poderá dar nova vida ao IMPE, que “desempenha um papel fundamental no ensino em Portugal”. Segundo o ministro, é preciso considerar que ”as consequências, ainda não totalmente assimiladas, que a extinção da obrigatoriedade do serviço militar no final de 2004 vai ter na ligação entre as Forças Armadas e a sociedade, obrigaram a estabelecer novos modelos”. O despacho de Portas propõe novos modos de financiamento “público e privado para o IMPE”, a estudar por um grupo de missão que apresentará até ao próximo dia 30 de Junho uma proposta. Esse modelo irá determinar as novas formas de financiamento e de tutela, já que o orçamento do Exército, como se provou, não tem condições para manter a funcionar o IMPE.
NOVENTA E DOIS ANOS DE HISTÓRIA
O Instituto Militar dos Pupilos do Exército (IMPE) está em comemorações do seu 92.ª aniversário. Ontem realizou-se uma cerimónia presidida pelo Tenente General Alexandre Sousa Pinto, e hoje terá lugar um desfile do Batalhão Escolar com Banda e Fanfarra do Governo Militar de Lisboa pela Avª da Liberdade, seguida por uma Missa de Acção de Graças.
O programa de comemorações tem mantido aspectos comuns desde os primeiros anos. A diferença é que, se o programa tem ganho em espectacularidade, tem perdido a solenidade que lhe era conferida pela presença do Presidente da República, o que não acontece actualmente.
O IMPE foi fundado em Maio de 1911 pelo General António Xavier Correia Barreto, então ministro da Guerra, como uma das formas de execução do inovador programa educativo do I Governo da República. Ao longo dos anos, o IMPE sofreu várias reformas administrativas e curriculares, a última das quais em 1976, que levou à reconversão dos cursos médios em cursos superiores politécnicos. Actualmente, existem os cursos de Contabilidade e Administração e quatro cursos de Engenharia – de Máquinas, de Electrotécnica e Telecomunicações, e de Energia e Sistemas de Potências.
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