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Presidente da Câmara de Leiria pede ao Goveno mais empatia política na sequência dos danos provocados pelo mau tempo

Gonçalo Lopes considerou que criar um ambiente de divisão "não é a melhor maneira de acelerar o processo" de reconstrução do território afetado pelo mau tempo.

27 de maio de 2026 às 13:55

O presidente da Câmara de Leiria pediu esta quarta-feira mais empatia política ao Governo e considerou que criar um ambiente de divisão "não é a melhor maneira de acelerar o processo" de reconstrução do território afetado pelo mau tempo.

"O Governo, no meu entender, deveria acompanhar com mais proximidade o trabalho que é feito no terreno para poder ter uma noção exata das dificuldades que as autarquias, que foram esmagadas pela tempestade, estão neste momento a passar. É este grau de empatia política que tem de ser melhorada no relacionamento com as autarquias", afirmou Gonçalo Lopes à agência Lusa, quando se completam quatro meses da depressão Kristin, que atingiu gravemente o concelho em 28 de janeiro.

O ministro da Economia e da Coesão, Castro Almeida, apontou, na sexta-feira, num debate parlamentar "grande disparidade" entre os municípios na avaliação das habitações afetadas pelas tempestades, verificando que 13 deles já concluíram todos os processos enquanto outros ainda não avaliaram nenhuma casa.

"O apelo que eu posso fazer é que os municípios mais lentos se aproximem do ritmo dos municípios mais rápidos, alguns dos quais já terminaram o processo", disse Castro Almeida.

Para Gonçalo Lopes, o trabalho dos municípios "não está a ser compreendido por quem lidera a pasta das autarquias e da coesão e da economia, que é, de facto, a área mais importante neste momento da governação no âmbito do território afetado".

Admitindo existir falta de informação, o autarca socialista referiu que aquela só se consegue indo ao terreno, para perceber o que se está a passar, o que "tem de ser feito pelas cúpulas governamentais, independentemente de existir uma Estrutura de Missão [para a Recuperação da Região Centro]".

"Temos de ter a obrigação, depois de termos um território destruído com milhões e milhões de prejuízo, que haja um acompanhamento olhos nos olhos, dia a dia, regular, daquilo que é a evolução da recuperação de uma região", salientou.

O presidente da Câmara assegurou que "Leiria não procura culpados neste processo", mas soluções, e rejeitou haver "um processo de falha da análise das candidaturas por parte dos municípios, sobretudo quando muitos deles têm a sua estrutura técnica esmagada pela tempestade" e "estão a fazer o máximo possível para poder colocar os apoios junto das suas populações".

"Por isso, criar um ambiente de divisão e de culpabilização não é a melhor maneira de acelerar o processo, é, sim, uma maneira de criar divisões e atritos entre o Governo e as autarquias, que devem estar unidos nesse grande objetivo que é apoiar as famílias o mais rápido possível", referiu.

Leiria é o concelho com mais candidaturas (10.808 de um total no país de 35.908) para recuperação de casas próprias e permanentes danificadas pelo mau tempo.

Das 4.220 candidaturas de Leiria analisadas, 2.154 foram aprovadas e 1.079 foram indeferidas, tendo sido pago um montante de 9,2 milhões de euros (dados de terça-feira).

"É também o município que mais [candidaturas] analisou", observou.

No processo de análise das candidaturas, a Câmara conta com uma equipa interna de 23 pessoas e mais 78 das ordens profissionais, "muito distante dos 700 anunciados como disponíveis", prosseguiu.

"Há uma falta de recursos humanos efetivos e permanentes para análise dos processos", declarou, para explicar que outra dificuldade se prende com os pedidos de apoio estarem mal instruídos.

O autarca assinalou ainda a dimensão burocrática "criada ao longo do processo", em que as Câmaras "não tiveram qualquer tipo de controlo, nem consulta".

"Depois houve também um reforço do rigor da análise das candidaturas, que prejudicou a sua rapidez a partir do momento em que encontramos situações que obrigam a visitas e a comprovar no terreno os pedidos de apoio, mesmo aqueles que são inferiores a cinco mil euros", acrescentou.

O Governo anunciou que os apoios financeiros para reparar os estragos em habitações causados pela depressão Kristin eram atribuídos no prazo máximo de três dias úteis nas despesas até cinco mil euros (com fotografias), que dispensam vistoria, e em até 15 dias úteis nos restantes, até 10 mil euros.

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