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Primeiro-ministro e PSD recusam falha do Estado e criticam oposição

Hugo Soares, deixou palavras de agradecimento a todas as entidades públicas que estiveram no terreno e que, segundo ele, demonstram que "o Estado não falhou".

19 de fevereiro de 2026 às 18:46

O primeiro-ministro e o líder parlamentar do PSD recusaram esta quinta-feira que o Estado tenha falhado, com Luís Montenegro a admitir que "nem tudo correu bem", mas a acusar alguns de estarem mais preocupados com "eleições do que com soluções".

O debate quinzenal foi esta quinta-feira quase totalmente centrado na resposta do Governo às consequências das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram 18 mortes em Portugal e provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

Na fase final, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, deixou palavras de agradecimento a todas as entidades públicas que estiveram no terreno e que, segundo ele, demonstram que "o Estado não falhou".

O primeiro-ministro associou-se ao agradecimento, que estendeu também a muitos atores do setor social e privado, que considerou terem colaborado "de forma absolutamente incrível" no terreno.

"Isto não quer dizer que correu tudo bem. Aqueles que se apressam a dizer que 'o primeiro-ministro é um insensível', ou até pensem 'é um irresponsável', desconhecem o esforço que as pessoas fizeram, que as organizações públicas, privadas e sociais fizeram, e não valorizam o esforço, o mérito, a solidariedade", lamentou.

Sem especificar destinatários, Montenegro admitiu que "muitos tenham os seus processos de análise muito influenciados por aquilo que estão a pensar, não para as populações mas para as eleições".

"Nós estamos no Governo e no Governo nem são chavões nem eleições a nossa preocupação. A nossa preocupação são soluções. E essas foram tomadas nas primeiras 24 horas", insistiu.

O primeiro-ministro referiu que se "instituiu por repetição que o Governo tinha chegado tarde, que o Governo tinha desvalorizado, que as ajudas não estavam a chegar à vida das pessoas".

"Talvez não tenha corrido tudo bem, com certeza. Algum dia vai haver uma catástrofe em que corra tudo bem? (...) O que é que se pode fazer? Pode-se criar mecanismos de apoio rápido, de emergência, e pode-se ter um dispositivo preparado para ser rápido a assistir aqueles que estão numa situação de emergência. E foi isso que foi feito", defendeu.

O primeiro-ministro aproveitou ainda para elogiar os autarcas, dizendo fazê-lo "sem partidarite nenhuma", o que provocou risos nas bancadas mais à esquerda.

"Se sorriem quando eu digo isto, é porque, de facto, estão atingidos por uma partidarite aguda que deviam curar para poderem representar bem o interesse do país", criticou.

Antes, o presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, tinha centrado as suas críticas nos líderes do PS e do Chega.

"Não é por o senhor deputado José Luís Carneiro repetir uma, duas, três, quatro, cinco, seis vezes que o Estado falhou, que o Governo falhou, que a mentira passa a ser verdade. Estas pessoas que aqui estão, que nos estão a ouvir, que ainda hoje estão no terreno, sabem que o Estado não falhou", defendeu.

Hugo Soares acusou, por outro lado, o presidente do Chega, André Ventura, de ter tido "uma grande falta de compaixão, de solidariedade" ao responsabilizar o Governo pela morte de pessoas que estavam a reparar os seus telhados.

"Como é que é possível levar ao parlamento uma acusação como esta a um Governo? Ainda bem que o povo não deposita em si a confiança de governar, porque quem usa o sofrimento das pessoas não está preparado para exercer cargos executivos", disse.

O líder parlamentar do PSD acusou ainda Ventura de ter usado imagens manipuladas nas suas redes sociais durante as tempestades.

"Enquanto o Governo de Portugal, os cidadãos, os voluntários enfrentavam a tempestade, o deputado André Ventura aumentava a tempestade com chuva falsa nos vídeos de TikTok para se aproveitar do sofrimento das pessoas. É uma vergonha, é uma vergonha", apontou.

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