Presidente da República respeita decisão da PGR de divulgar nomes das vítimas.
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou esta terça-feira, em comunicado, que se registaram "até ao momento" 64 vítimas mortais nos incêndios de Pedrógão Grande, tendo divulgado a respetiva lista.
"Confirma-se, pois, a existência, até ao momento, de 64 vítimas mortais, cuja identidade se considera poder, agora, ser publicitada com segurança e sem perturbação da investigação", afirma a PGR, no comunicado.
No comunicado, a PGR indica que esta confirmação surge após a inquirição de uma testemunha "que tem vindo a alegar publicamente ter conhecimento da identidade de vítimas mortais não sinalizadas pelas autoridades".
Na edição de segunda-feira, o jornal I publicou uma lista com 73 nomes que diz terem sido vítimas da tragédia ocorrida em junho em Pedrógão Grande, elaborada por uma empresária para a realização de um memorial às vítimas.
Dessa lista fazem parte 38 nomes de pessoas que morreram na Estrada Nacional 236.1, encurraladas pelos incêndios.
Já no fim de semana, o jornal Expresso referia que o número final de mortos, divulgado pelas autoridades, excluía pelo menos um caso: de uma mulher que morreu atropelada quando fugia às chamas.
Da análise dos elementos recolhidos, a PGR anuncia esta terça-feira ter apurado "a existência de diversas imprecisões quanto à identificação das pessoas indicadas na referida lista, bem como repetição de nomes em, pelo menos, seis situações".
"Conclui-se, assim, existir coincidência entre os nomes das vítimas mortais já identificadas no inquérito e os constantes da lista publicitada pela testemunha, com exceção de Alzira Carvalho da Costa, e de José Rosa Tomás", acrescenta o comunicado.
Sobre a morte de Alzira Carvalho da Costa, que faleceu por atropelamento quando fugia do incêndio, a PGR indica que "está a ser investigada no âmbito de outro inquérito, iniciado logo que noticiado o acidente de viação ocorrido".
Quanto a José Rosa Tomás, "cuja causa de morte, até ao momento, não está sinalizada como diretamente relacionada com o incêndio, o Ministério Público não deixará de recolher elementos com vista a definir todas as circunstâncias em que a mesma ocorreu".
"Esclarece-se, ainda, que no inquérito relativo aos incêndios se encontra igualmente em investigação a situação das cerca de 150 vítimas não mortais, tendo já sido inquiridas cerca de 40 pessoas", acrescenta a PGR.
No comunicado, a Procuradoria indica ainda que o Ministério Público, no decurso das investigações, "apreciará todas as ligações das circunstâncias em que ocorreram os factos em análise, bem como a eventual conexão dos inquéritos em curso".
A PGR renova ainda o "apelo para que todos os que tenham conhecimento de quaisquer factos relacionados com os incêndios de Pedrógão Grande os transmitam ao Ministério Público".
Na segunda-feira, a PGR anunciou que o Ministério Público instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte de mais uma vítima, no âmbito de um acidente de viação, além das 64 já assumidas oficialmente, do incêndio de Pedrógão Grande.
Os inquéritos correm termos no Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria. Nestas investigações o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária - Diretoria de Coimbra.
O incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos e só foi dado como extinto uma semana depois.
Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, segundo as autoridades pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.
Presidente da República respeita decisão da PGR de divulgar nomes de mortos
"Eu respeito a autonomia do Ministério Público", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em direto para as televisões, durante uma visita ao posto de comando da proteção civil em Mação, onde o Presidente chegou cerca das 21h30.
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