Socialistas realçaram "maus exemplos" dados aos alunos com "gritarias e indisciplina".
O PS acusou os deputados do Chega de serem "os destruidores das escolas" pelos "maus exemplos" dados aos alunos com "gritarias e indisciplina", com o partido de André Ventura a responsabilizar os socialistas pela violência escolar devido "à inação".
Nas declarações políticas desta tarde no plenário da Assembleia da República, a intervenção do PS era sobre o ensino e formação profissional e a rota que o partido iniciou esta semana pelo país sobre este tema.
No entanto, depois da intervenção do deputado do Chega Rui Cardoso, que sobre educação acusou o PS de não ter propostas e chumbar as do partido sobre assistentes operacionais e sobre a violência nas escolas, gerou-se um momento tenso no parlamento, que levou a pedidos de defesa da honra.
Porfírio Silva, deputado do PS que tinha feito a intervenção, respondeu ao deputado do Chega que "as declarações políticas são sobre aquilo que são", ou seja, sobre o ensino profissional neste caso, e não são sobre aquilo que Rui Cardoso "acha que devem ser".
"Uma parte dos problemas que nós temos na sociedade são os maus exemplos, são as gritarias, são a indisciplina, é a violência na relação entre as pessoas e nessa matéria o senhor deputado é mestre", disse, o que gerou protestos da bancada do Chega.
O socialista pegou neste momento para dizer que "é esse o exemplo que senhores dão às escolas".
"É por isso que os senhores são os destruidores das escolas", atirou Porfírio Silva, prosseguindo depois com as respostas às intervenções de outras bancadas.
No final desta ronda de respostas, o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, pediu a defesa da honra da bancada.
"Eu não posso admitir que o senhor deputado Porfírio Silva tenha, não insinuado, mas dito mesmo que a culpa da violência das escolas é dos deputados do chega", condenou, considerando que o deputado Rui Cardoso "enfrenta a podridão do sistema sem medo".
De acordo com Pedro Pinto, a culpa da violência das escolas não é da bancada do Chega, mas "é da inação do Partido Socialista durante anos e anos e anos que esqueceram a escola pública".
"A culpa da violência das escolas é da falta de proteção aos professores. Que os senhores deixaram que alunos agredissem professores e ficaram em silêncio. A culpa do que se passa nas escolas portuguesas e da violência é do Partido Socialista", insistiu.
Na resposta, Porfírio Silva avisou: "eu não sou fácil de intimidar, nem com berraria, mesmo que seja de um líder parlamentar".
Na sua intervenção inicial, o deputado do PS defendeu os méritos do ensino e formação profissional, designadamente com os cursos de dupla certificação, mas considerou que "é preciso um novo fôlego".
"Infelizmente, o necessário novo fôlego não virá da reforma napoleónica do Ministério da Educação. Pela primeira vez há muitos anos, não há nenhuma estrutura central do Ministério especificamente responsável pelo ensino profissional, tal como não há para a educação de adultos", criticou, considerando que "os ziguezagues" sobre o "acesso ao ensino superior acabam por destapar os velhos preconceitos".
Pelo PSD, Inês Barroso perguntou "onde é que o PS estava em 2003" quando, na revisão da lei de bases, os sociais-democratas "queriam valorizar o ensino vocacional" e os socialistas em 2005 "suspenderam tudo".
"Agora acordou, com esta rota, para esta necessidade de valorizar o ensino profissional 20 anos depois", criticou, considerando que o Governo da AD está a fazer essa valorização de forma estratégica.
Na resposta, Porfírio Silva recorreu a uma citação do atual ministro da Educação sobre a evolução em 20 anos dos níveis de escolaridade.
"Sabe quem é que esteve no Governo nesses 20 anos? Fomos nós, fomos nós que fizemos isso, foi essa a nossa obra", disse, referindo, sobre o ensino profissionais que "não é bonito citar o dinheiro, a obra e os projetos que herdaram do anterior Governo e que agora estão a executar como se fossem" do PSD.
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