"Vice" da bancada do PS referiu notícias sobre a "adesão do líder ou da principal figura dos detidos na partilha de informação e de associação ao movimento".
O PS desafiou esta quinta-feira o Chega a distanciar-se de forma inequívoca de grupos neonazis e a condenar cabalmente ligações de atuais ou antigos membros do seu partido a uma organização extremista alvo de uma operação da PJ.
Este repto foi feito pelo vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS Pedro Delgado Alves no parlamento, na sequência de informações de que quatro militantes do Chega foram identificados entre os 37 arguidos detidos no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi.
"O Chega deve esclarecer cabalmente, como é próprio de um partido que reivindica fazer parte do espetro democrático, que reivindica não ser um inimigo da democracia, se este grupo tem ligações, ramificações. Deve ficar esclarecido qual é a forma como o Chega se distancia e se diferencia destas pessoas que representam, hoje em dia, infelizmente, uma ameaça para a democracia", declarou Pedro Delgado Alves.
O "vice" da bancada do PS referiu depois notícias sobre a "adesão do líder ou da principal figura dos detidos na partilha de informação e de associação ao movimento".
"Há também evidência, não só documental, também fotográfica, em eventos em que são partilhados os mesmos passos por dirigentes nacionais do Chega com pessoas que hoje estão detidas, outras sob suspeita. Isto deve ser clarificado de uma forma mais assertiva, o que nos parece não ter acontecido até ao momento", sustentou.
De acordo com Pedro Delgado Alves, exige-se "o reconhecimento de que a violência política deixou de ter espaço em Portugal há muitas décadas, não pode regressar e não deve haver qualquer tipo de transigência, qualquer tipo de hesitação na sua condenação".
Na perspetiva do dirigente da bancada do PS, o Chega, em vez de condenar este movimento neonazi, procurou antes criar uma "cortina de fumo".
"Fomos surpreendidos, quer em notícias partilhadas pelo Chega, quer há instantes no debate parlamentar, com a tentativa de identificar uma alegada militante do PS que constaria entre os detidos. Mas, como PS/Barreiro já teve a oportunidade de esclarecer de forma muito detalhada no ano passado, quando a notícia surgiu pela primeira vez, a pessoa em causa não é militante do PS", assegurou o dirigente da bancada socialista.
Neste contexto, Pedro Delgado Alves considerou que o Chega pretende "atirar areia para os olhos das pessoas, ou criar cortinas de fumo".
"Só que essa não é a forma de lidar com as reais e documentadas evidências de que antigos ou atuais militantes ou candidatos do partido Chega tiveram ligações a este grupo" de cariz neonazi, acentuou.
No início desta semana, a PJ anunciou que trinta e sete pessoas com "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais" foram detidas em todo o país na operação "Irmandade", no âmbito da qual foram ainda constituídos outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas,.
Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
A organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida", refere a PJ.
O grupo, identificado em conferência de imprensa pela PJ como 1143, terá como líder Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que daria as instruções a partir da cadeia.
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