Chega anunciou que vai entregar um projeto de lei noParlamento para clarificar as regras quanto à divulgação dos financiadores dos partidos, propondo um equilíbrio maior entre transparência e privacidade.
O PS acusou esta segunda-feira o Chega de "querer esconder" alguma coisa quando a proposta sobre financiamento dos partidos é para "compatibilizar transparência com privacidade", referindo que para os socialistas os nomes de quem faz as doações devem ser conhecidos.
"O Chega dá uma no cravo - verde, como sabemos - e outra na ferradura. O Chega apresentou uma proposta dizendo que quer compatibilizar transparência com privacidade. Nestas coisas é nos detalhes que o diabo se esconde", respondeu André Moz Caldas, porta-voz do Secretariado Nacional do PS, aos jornalistas na sede do PS, em Lisboa.
Referindo-se à proposta esta segunda-feira anunciada pelo partido de André Ventura, o dirigente socialista considerou que para "querer compatibilizar transparência com privacidade, alguma coisa o Chega quererá esconder".
"O Partido Socialista, nesta matéria, está do lado da transparência apenas. Os donativos devem ser nominativos e esses nomes serem conhecidos do público", defendeu.
O Chega anunciou que vai entregar um projeto de lei no parlamento para clarificar as regras quanto à divulgação dos financiadores dos partidos, propondo um equilíbrio maior entre transparência e privacidade, além de mais meios para a fiscalização.
Sobre o protesto do deputado Pedro Delgado Alves, que na sessão solene do 25 de Abril de sábado virou as costas ao presidente do parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, por considerar que um mau serviço" e de caricaturar o controlo de transparência, Moz Caldas remeteu para a posição do líder parlamentar do PS no próprio dia, ao qual disse não ter nada a acrescentar.
"Para o PS, a transparência no exercício das funções públicas é uma prioridade inultrapassável. É fundamental que não se deteriore um discurso que permita restaurar a confiança dos cidadãos nas instituições. O PS tem estado sempre desse lado do combate político e continuará a estar", referiu.
Perante a insistência dos jornalistas sobre a atitude de Delgado Alves, que foi alvo de críticas inclusivamente de socialistas, o porta-voz do Secretariado Nacional do PS manteve a mesma linha.
"O líder parlamentar já teve oportunidade de se pronunciar sobre isso. Essa dimensão está ultrapassada", reiterou.
Sobre uma da notícias do dia desta segunda-feira, segundo a qual o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, comprou ações já estando neste cargo e teve que se desfazer delas já que o Código do Banco Central Europeu não permite estas transações privadas, André Moz Caldas considerou que apesar da falha, "ainda vai a tempo de corrigir a sua atuação".
"Esse é um domínio em que é preciso melhorar. Não nos parece, contudo, que a situação, ao ter sido prontamente corrigida, seja de monta a merecer muito mais atenção do que isso", desvalorizou.
De acordo o dirigente do PS, depois do Banco Central Europeu ter manifestado dúvidas, Álvaro Santos Pereira recuou,
"Se recuou é porque ele próprio reconhece que não tinha estado ao nível de exigência que as regras que pautam a sua conduta lhe exigem", enfatizou.
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