"Acho mesmo que o primeiro-ministro devia pedir desculpas aos portugueses pela falha grave no exercício das suas funções", assumiu Eurico Brilhante Dias.
O PS afirmou esta sexta-feira que o primeiro-ministro (PSD) andou alheado do país, entre férias e uma festa, enquanto se combatiam incêndios florestais, e pondera pedir no parlamento a constituição de uma comissão de avaliação técnica independente.
"O Governo tem vindo sempre atrasado. Ontem [na quinta-feira] tivemos um momento muito infeliz. O país combatia os incêndios e o primeiro-ministro [Luís Montenegro] participava numa festa [Festa do Pontal, do PSD] alheado do país, alheado da circunstância do país", disse à Lusa o líder da bancada parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias.
Segundo o deputado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, "obrigou o primeiro-ministro a interromper as suas férias, a vir a Lisboa a uma reunião", na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.
"Acho mesmo que o primeiro-ministro devia pedir desculpas aos portugueses pela falha grave no exercício das suas funções, porque um primeiro-ministro nunca está de férias", referiu Brilhante Dias.
Fonte do gabinete do primeiro-ministro indicou esta sexta-feira à Lusa que Luís Montenegro cancelou o período de férias que tinha previsto entre esta sexta-feira e 22 de agosto, tendo estado de férias nos últimos cinco dias "embora com agenda pública em quatro desses dias".
"Nestes 15 dias, o país, manifestamente, andou atrás dos incêndios e o Governo, entre as férias e a Festa do Pontal, não esteve ativo na comunicação com os portugueses, na comunicação com os autarcas, e em particular em mobilizar os meios que eram necessários", apontou Eurico Brilhante Dias.
O PS voltou a criticar o Governo por não ter "acionado o quanto antes" o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e pondera "a possibilidade" de apresentar no parlamento um pedido de constituição de uma comissão técnica independente para avaliar a preparação e o combate aos incêndios florestais.
Portugal ativou o mecanismo, com pedido de apoio de quatro aviões Canadair de combate aos incêndios, anunciou esta sexta-feira o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre.
Mário Silvestre disse que Portugal é o sétimo país a ativar o mecanismo europeu.
Hoje, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, justificou a decisão de o Governo recorrer a ajuda externa, através dos acordos bilaterais, antes de acionar o mecanismo europeu com o facto de não ser "alheio à situação internacional que se vive" e aos países que mais contribuem para este mecanismo, como França, Espanha e Itália, estarem também "muito pressionados pelos incêndios".
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