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PS e PCP criticam ausência de informação sobre auditorias anunciadas pela Câmara ao acidente com elevador da Glória

Governação PSD/CDS-PP/IL referiu que a Carris está a fazer "um excelente trabalho".

27 de maio de 2026 às 19:18

O PS e o PCP na Câmara de Lisboa criticaram esta quuarta-feira a ausência de informação sobre as auditorias ao acidente com o elevador da Glória, tendo a governação PSD/CDS-PP/IL assegurado que a Carris está a fazer "um excelente trabalho".

Na reunião pública da Câmara Municipal, o vereador do PS Pedro Anastácio disse que passados quase nove meses do descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 03 setembro, com 16 mortos e mais de 20 feridos, a governação liderada por Carlos Moedas (PSD) ainda não conseguiu fazer um ponto de situação sobre as medidas aprovadas após o acidente, inclusive a realização de auditorias.

O socialista lamentou a ausência de informação, criticou a postura de "silêncio político, para ver se as pessoas não se lembram", e questionou sobre a execução das auditorias: "Nem sabemos se existem, se estão contratadas."

Pedro Anastácio defendeu "o esclarecimento total" relativamente ao descarrilamento, considerou que a falta de conclusões por parte da autarquia e da empresa municipal Carris, responsável pela gestão do elevador da Glória, "envergonha a cidade" e acusou o social-democrata Carlos Moedas de preferir encarar este assunto com "um processo opaco, pouco transparente, divulgando o mínimo de informação possível, prestando zero contas".

Também o vereador único do PCP, João Ferreira, criticou a governação PSD/CDS-PP/IL pelas "coisas que não saem do papel", lembrou que foram anunciadas duas auditorias logo após o acidente e que se esperava para breve resultados, mas, no entanto, "não se sabe nada", nem quem faz, nem quais os objetivos: "É legítimo supor que eles possam nem sequer existir."

Em resposta, o vice-presidente da Câmara, Gonçalo Reis (PSD), que tem o pelouro da Mobilidade, garantiu que "a Carris está a fazer um excelente trabalho", particularmente na política de segurança dos equipamentos de transporte público, inclusive para a reabertura dos ascensores da cidade, que foram parados para serem inspecionados na sequência do descarrilamento.

"Estão em curso auditorias externas", assegurou o autarca, esclarecendo que já foi dito publicamente quem está a fazer esse trabalho, que é a empresa CATIM, acrescentando que há uma auditoria interna a decorrer e há uma comissão técnica independente, que tem reunido recorrentemente.

Gonçalo Reis reforçou que está a ser feito "um trabalho apurado, rigoroso, de apuramento de todas as causas do acidente, definição de novas políticas de segurança e de redundância, e de desenvolvimento de soluções para reabertura do elevador da Glória", referindo que o funicular da Graça já reabriu e agora está-se a trabalhar nos seguintes, de acordo com a metodologia sequencial definida pela comissão técnica independente.

"Seria irresponsável que a Carris avançasse mais rápido do que as conclusões da própria comissão técnica independente", considerou.

Ressalvando que é preciso ter capacidade de investimento, o vice-presidente frisou que a proposta da vereação do PS de gratuitidade total dos transportes públicos seria "descapitalizar a Carris".

Em protesto, o socialista Pedro Anastácio acusou a governação PSD/CDS-PP/IL de "nada esclarecer" e lamentou que, perante questões sobre o acidente, se fale de gratuitidade.

Já o social-democrata Carlos Moedas considerou "absolutamente horrendo a politização de uma tragédia" e sublinhou que o trabalho que está a ser feito "é esclarecer, é ser transparente".

Antes deste tema, o vereador do PS perguntou sobre a inspeção aos 66 mil candeeiros públicos de Lisboa, anunciada em dezembro após relatos de eventuais eletrocussões de animais, com a promessa de ter "resultados e conclusões para março de 2026", mas, no entanto, "a cidade não sabe de nada".

Em resposta, a vereadora do Espaço Público na Câmara de Lisboa, Joana Baptista (independente indicada pelo PSD), disse que em dezembro foi comunicada a pretensão política de avançar com uma auditoria à iluminação pública, que só foi possível lançar com o orçamento de 2026, tendo sido lançada em fevereiro e "adjudicada recentemente" a duas empresas, a CMS e a Sinalcabo, por cerca de 400 mil euros.

Ressalvado que é uma auditoria complexa, Joana Baptista adiantou que vai reunir-se com as empresas na próxima semana "para uma análise sobre os trabalhos futuros", que se vão "prolongar por 365 dias".

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