Sobre eventuais acordos de governação o secretário-geral adjunto do PS deixou as respostas para dia 30.
O secretário-geral adjunto do PS escusou-se esta sexta-feira a responder sobre a possibilidade de um acordo pós-eleitoral com o PAN, afirmando que partido está a "bater-se por uma maioria absoluta para salvaguardar a sua autonomia estratégica".
Em declarações à Lusa, confrontado com as declarações do histórico socialista Manuel Alegre, que, num artigo publicado no jornal Público na terça-feira, disse não entender "como é possível o PS colocar-se na eventual dependência do PAN", José Luis Carneiro refutou haver qualquer possibilidade dependência.
As declarações do ex-candidato à presidência da República surgem depois de, no debate televisivo com o presidente do PSD, Rui Rio, o primeiro-ministro ter afastado a manutenção da 'geringonça' nas atuais circunstâncias e observado que o PS e o PAN poderão somar mais de metade dos deputados.
"O PS provou ao longo da sua história que é capaz e competente para salvaguardar permanentemente a sua autonomia estratégica. Fê-lo, alias, na discussão há muito pouco tempo, do Orçamento do Estado, entendeu que havia linhas que não podia ultrapassar para salvar aqueles que são valores fundamentais da sustentabilidade das funções sociais do Estado", salientou José Luís Carneiro.
Questionado concretamente sobre a possibilidade de um acordo com o PAN para formar Governo, José Luís Carneiro escusou-se a responder de forma direta.
"O PS está a bater-se por uma maioria absoluta para salvaguardar a sua autonomia estratégica naquilo que é vital para a vida do país", respondeu, e, questionado uma segunda vez, reafirmou que "o PS afirma a sua vontade de trabalhar para ter uma maioria política que sirva os interesses do país e a sua autonomia estratégica".
Sobre eventuais acordos de governação, com, ou sem o PAN, o secretário-geral adjunto do PS deixou as respostas para dia 30.
"No domingo à noite responderemos a essas questões", disse.
Manuel Alegre criticou na terça-feira que o PS se possa colocar "na dependência do PAN", numa opção contrária à sua "cultura de liberdade", o que o poria a votar contra si próprio.
Num artigo no jornal Público, o antigo candidato presidencial argumenta ainda que a imposição de um programa de "cortes e proibições" por "dois ou três deputados" dispostos a negociar quer com o PS, quer com o PSD, põe em causa a "verdade da representação política".
Manuel Alegre reconhece "o problema de confiança" que o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 colocou ao PS relativamente aos antigos parceiros da chamada ´geringonça', designadamente BE e PCP, e por isso apoia "a posição do PS no sentido da obtenção de uma maioria que liberte o governo de novos constrangimentos e dependências".
"E por isso não compreendo como é possível o PS colocar-se na eventual dependência do PAN, partido que subverte o primado da pessoa humana e os fundamentos humanistas da nossa sociedade. Se tal acontecesse, votar PS seria como votar contra mim mesmo, contra o que gosto de fazer, como caçar e pescar, algo que faz parte de uma cultura de vida e de relação com a natureza", sustenta.
Para Manuel Alegre, "a hipótese de dois ou três deputados poderem impor por decreto um programa baseado em cortes e proibições, não por força própria, mas com os votos dos partidos, PS ou PSD, a que o PAN se oferece para viabilizar governos, constitui algo que põe em causa a verdade da representação democrática".
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