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PS/Gaia quer Câmara assistente no processo Águas Turvas e sugere auditoria e supervisão

Socialistas sugeriram ainda a realização de uma auditoria e criação de um Conselho de Supervisão na empresa Águas de Gaia.

01 de junho de 2026 às 13:01

O PS de Gaia propôs esta segunda-feira que a autarquia seja assistente no processo Águas Turvas, sugerindo ainda a realização de uma auditoria e criação de um Conselho de Supervisão na empresa Águas de Gaia.

De acordo com um comunicado enviado à Lusa, o PS de Vila Nova de Gaia (distrito do Porto) "propõe três medidas urgentes em resposta à mega-operação da Polícia Judiciária na empresa municipal Águas de Gaia", entre as quais que "a Câmara Municipal deve constituir-se assistente no processo judicial, de forma a reclamar indemnização por prejuízos causados à gestão da empresa e aos consumidores".

Os socialistas desejam ainda que seja realizada uma "auditoria externa que determine o montante do prejuízo causado aos consumidores para posterior devolução em desconto na fatura da água" e a "criação do Conselho de Supervisão, com funções de fiscalização, presidido por uma personalidade independente e de notória capacidade profissional e constituído pelos vereadores, representantes da Assembleia Municipal, presidentes de junta de freguesia e representantes de instituições de ensino superior do concelho".

á"O PS defende também que a gestão da empresa deve sofrer alterações profundas, uma vez que atual estrutura não detetou nada do que já foi revelado por esta mega operação judicial, iniciada há 17 meses, decorrente de uma denúncia anónima", referem ainda os vereadores do PS.

Estas são algumas das propostas que a vereação do PS em Gaia, liderada por João Paulo Correia, deverá levar à reunião extraordinária privada de terça-feira, às 16:00, solicitada na sequência da operação Águas Turvas, que investiga um alegado esquema de corrupção na Águas de Gaia (ADGaia) e que levou a 14 detenções, tendo o Ministério Público (MP) pedido prisão preventiva para quatro dos detidos.

A aplicação de prisão preventiva - medida de coação mais gravosa - a estes quatro detidos "implicará, de certo, o desmoronar" das práticas criminosas, defendeu o MP na sexta-feira.

Para outros cinco suspeitos, o MP solicitou a suspensão do exercício de funções e a proibição de contactos, por qualquer meio ou por interposta pessoa, com os outros arguidos, funcionários e dirigentes da ADGaia.

Para os restantes cinco arguidos, o MP requereu que seja prestada, por cada um deles, uma caução não inferior a 100 mil euros e que fiquem proibidos de contactar entre si e com os restantes suspeitos.

O MP pediu ainda, para um destes cinco arguidos, a proibição de se ausentar do país e a entrega do passaporte.

Os detidos, funcionários da ADGaia, alguns com cargos de chefia, ex-funcionários e empresários ligados à construção civil e à venda de materiais, remeteram-se ao silêncio no primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, adiantou à Lusa fonte judicial.

"A investigação, em curso há cerca de 17 meses, incide sobre um amplo esquema organizado de criminalidade económico-financeira, desenvolvido através da conjugação de esforços entre empresários do setor privado e funcionários da Empresa Municipal Águas de Gaia (ADGaia), com poderes decisórios relevantes no âmbito da contratação pública e sua respetiva execução", adiantou a Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira, dia das detenções, em comunicado.

O MP sustenta que os funcionários da Águas de Gaia detidos manipularam, alegadamente, dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.

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