Reações à saída do ministro da Cultura.
O líder parlamentar do PS afirmou hoje compreender os motivos da demissão do ministro da Cultura, João Soares, já aceite pelo primeiro-ministro, e salientou que o sucedido não foi uma decorrência de um evento de natureza política.
Carlos César falava aos jornalistas no final da sessão plenária na Assembleia da República, após ser interrogado sobre as consequências da demissão de João Soares do cargo de ministro da Cultura - demissão que já foi aceite pelo líder do executivo, António Costa.
"Compreendo as razões que o dr. João Soares invocou para a sua demissão e respeito-as. Agora compete ao primeiro-ministro, tendo aceite essa demissão, proceder à nomeação do novo ministro da Cultura. E o assunto está encerado", considerou o presidente do PS.
Interrogado se este caso representou uma fragilização do executivo socialista, Carlos César respondeu: "O que aconteceu não é decorrência de qualquer evento de natureza política", sustentou.
BE diz que foi a decisão certa e recusa que Governo fique fragilizado
"Foi um ministro que disse o que não devia, agora tomou a decisão correta, no momento certo também", afirmou o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, em declarações aos jornalistas no parlamento.
"Sobre a situação do Governo, não há aqui nenhum problema político, foi uma decisão do ministro individual e, por isso, não nos parece que o Governo fique mais fragilizado", frisou.
PCP defende que se discuta política cultural mais do que "episódio" da saída
"Mais do que comentar episódios - o que originou a demissão - interessa-nos discutir a política cultural que é seguida. Mais do que focar-nos no episódio que envolveu o ministro temos que nos focar em qual será a política que o próximo titular da pasta vai seguir", afirmou hoje a deputada Ana Mesquita aos jornalistas no Parlamento.
CDS-PP diz que saída do ministro da Cultura era "inevitável"
"Como ontem [quinta-feira] dissemos considerámos este episódio lamentável e que não deveria ter acontecido. E, por isso, parece-nos esta demissão do doutor João Soares inevitável, sobretudo depois das declarações do doutor António Costa", afirmou o deputado do CDS-PP António Carlos Monteiro, em declarações aos jornalistas no parlamento.
O primeiro-ministro, António Costa, aceitou o pedido de demissão do ministro da Cultura, João Soares, na sequência das declarações do ministro na sua conta do Facebook em que prometia "salutares bofetadas" ao colunista Augusto M. Seabra, devido a críticas deste à falta de linha de ação política e ao "estilo de compadrio, prepotência e grosseria", e também ao colunista Vasco Pulido Valente.
Na quinta-feira à noite, o primeiro-ministro, António Costa, pediu desculpa aos colunistas do jornal Público ameaçados com "estaladas" pelo ministro da Cultura e pediu aos membros do Governo que sejam "contidos na forma como expressam emoções".
PSD implica Costa em tentativas de condicionamento da liberdade de expressão
O PSD defendeu que o caso que levou à demissão de João Soares se enquadra numa "escola" do Governo de lidar mal com a crítica e implicou o primeiro-ministro em tentativas de condicionamento da liberdade de expressão.
Esta posição foi transmitida aos jornalistas pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que anunciou que este partido mantém, por isso, os pedidos de audição do ex-ministro da Cultura, do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da diretora do Público.
"A questão política relevante mantém-se, e essa tem que ver com a forma como o Governo, a começar pelo primeiro-ministro, se relaciona com a crítica que vem do exercício da liberdade de expressão, seja de alguns cidadãos, seja de profissionais da comunicação social", afirmou Luís Montenegro, nos Passos Perdidos da Assembleia da República.
O social-democrata implicou António Costa em dois episódios: "Esta postura do Governo, infelizmente, tem feito escola porque ela vem também muito do primeiro-ministro, alguém que ainda recentemente também tentou condicionar a opinião de um jornalista através de um SMS e alguém que esteve aqui neste lugar, exatamente onde eu me encontro agora, a instar os senhores jornalistas a não fazerem perguntas ao maior partido da oposição por causa daquela que era a nossa posição sobre o Orçamento do Estado".
"Esta foi uma demissão absolutamente interna, uma decisão interna do Governo", considerou.
"Isto é, a questão relevante mantém-se: tem a ver com a forma como os membros do Governo pressionam, condicionam o exercício da liberdade de expressão e, nomeadamente, o exercício da liberdade de informação por parte dos profissionais da comunicação social", acrescentou.
Em seguida, anunciou que o PSD mantinha o pedido entregue hoje para "ouvir o ex-ministro da Cultura, o doutor João Soares, o conselho regulador da ERC e também a diretora do jornal Público".
Questionado se o Governo fica fragilizado com a demissão de João Soares, Luís Montenegro respondeu: "Dá mostra de que é difícil a relação entre os seus membros. O primeiro-ministro perdeu aqui a sua condição de liderança relativamente a um dos seus elementos".
CENA espera que sucessor "tenha mais interesse em ouvir trabalhadores"
A posição do CENA surge na sequência da demissão de João Soares como ministro da Cultura, anunciada hoje, depois de declarações polémicas publicadas na rede social Facebook, sobre dois artigos de opinião de Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente.
"Sabemos que as razões da demissão têm muito mais a ver com uma atitude pessoal do que com uma questão de políticas. Infelizmente, nos últimos quatro meses, também não vimos grandes avanços para o nosso setor. Mais do que as caras e os nomes, interessa-nos as políticas", disse André Albuquerque.
O sindicalista recordou ainda "a indisponibilidade" de João Soares para reunir com os sindicatos antes da aprovação do Orçamento do Estado, o que dava "um sinal de que também não havia grande interesse em ouvir os trabalhadores".
Independente de quem suceder a João Soares no cargo, André Albuquerque espera que "as próximas políticas para a Cultura sejam mais sustentadas e que vão ao encontro dos direitos dos trabalhadores".
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