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PSD e Chega inviabilizam debate na Assembleia Municipal de Lisboa sobre responsabilidade e ética de Moedas

João Monteiro, do grupo municipal do Livre, manifestou-se espantado com o pedido de recurso e considerou que a sua aprovação abre um precedente que fere o direito regimental.

09 de abril de 2026 às 17:36

O PSD e o Chega na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) inviabilizaram esta quinta-feira um debate sobre responsabilidade e ética de Carlos Moedas na liderança do executivo municipal, requerido pelo Livre, aprovando um recurso do PSD contra a discussão.

O debate "Responsabilidade e Ética de Carlos Moedas na Liderança do Executivo Municipal de Lisboa" era um dos pontos da sessão de hoje da AML, que não conta com a presença do presidente da câmara, mas, ainda antes de o Livre abrir a discussão, a líder da bancada do PSD, Liliana Fidalgo, interpelou o presidente da AML, André Moz Caldas, para pedir recurso a plenário da sua realização.

O PSD reiterou "que está disponível sempre para qualquer tipo de escrutínio, mas entende que os pressupostos regimentais para o agendamento deste debate potestativo de atualidade não estão cumpridos", apontou a deputada municipal.

João Monteiro, do grupo municipal do Livre, manifestou-se espantado com o pedido de recurso e considerou que a sua aprovação abre um precedente que fere o direito regimental.

"Esperamos que não esteja a haver aqui uma tentativa de cancelamento da atividade democrática", afirmou o deputado do Livre, antes da aprovação do recurso com os votos a favor do PSD e Chega, a abstenção do PS e PAN e os votos contra da IL, CDS-PP, Livre, PCP, BE e PEV.

Já em comunicado enviado posteriormente, o Livre apontou que o debate tinha como objetivo "esclarecer os lisboetas sobre matérias recentes que levantam dúvidas quanto à atuação da presidência da Câmara" e que "ao impedir-se a realização de um debate legítimo e regimental, limita-se o escrutínio democrático e fragiliza-se a transparência que deve nortear a ação da Assembleia Municipal".

Adicionalmente, o Livre salientou que a "preocupante convergência política" do PSD e do Chega "compromete o direito ao escrutínio e ao pluralismo democrático", acusando aqueles partidos de, ao bloquearem a discussão, se limitarem a "proteger o poder e a prejudicar o interesse público".

Já o PSD, no email enviado aos deputados municipais, considerou que a AML "é um órgão de fiscalização política, vocacionado para a apreciação de atos, decisões e políticas concretas do Executivo, não um espaço de formulação de juízos éticos genéricos ou abstratos sobre pessoas ou lideranças".

Os sociais-democratas realçaram que "não está em causa a relevância da ética", mas sim a forma como o tema é formulado no requerimento do Livre, "de modo genérico e abstrato, sem ancoragem em factos concretos que justifiquem o recurso a este instrumento regimental" do debate potestativo.

No início da sessão, a AML aprovou por unanimidade um voto de pesar pela morte do maestro Álvaro Cassuto, na segunda-feira, aos 87 anos.

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