Deputado social-democrata sublinhou que "a poluição não vem do Tejo nem cai do céu".
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O PSD exigiu esta quinta-feira explicações ao ministro do Ambiente pelo problema da poluição em certas zonas do Tejo, considerando João Matos Fernandes responsável pela situação "por inação e incompetência".
"O PSD deu a oportunidade ao Governo de, no Orçamento do Estado, reforçar as verbas para a fiscalização do rio Tejo. O senhor ministro veio à Assembleia da República dizer que não era preciso, que tinha os meios necessários. O que é facto é que o Tejo está continuamente poluído e cada vez está pior", criticou o deputado do PSD eleito por Santarém Duarte Marques.
Lamentando que o Estado não consiga resolver este problema, o deputado social-democrata sublinhou que "a poluição não vem do Tejo nem cai do céu".
"Há um conjunto de empresas e de entidades que poluem o Tejo, o Governo tem de ter meios para descobrir quem são, fazer a monitorização da sua atividade e acabar com isto", exigiu.
Numa pergunta dirigida ao ministro do Ambiente, assinada também pelos deputados Nuno Serra, Teresa Leal Coelho, Luís Leite Ramos, Bruno Coimbra e Emídio Guerreiro, o PSD coloca dez questões concretas ao Governo sobre que medidas rápidas vai tomar para parar com a poluição no rio Tejo e se tenciona indemnizar os que dele vivem.
Nessas perguntas, os sociais-democratas questionam ainda se o Governo tem "dados e evidências recentes" sobre a responsabilidade das empresas Celtejo e Centrolviva, em Vila Velha de Rodão, e da empresa CAIMA - Indústria de Celulose, em Constância, pela poluição do rio Tejo.
"É mais fácil um simples guarda prisional fazer monitorização do que acontece no Tejo do que as autoridades responsáveis", lamentou.
Duarte Marques disse mesmo ter dúvidas de que o poder político "tenha coragem" para atuar nesta situação: "Em Portugal é mais fácil fechar uma discoteca do que uma fábrica poluidora", afirmou.
O PSD admite, caso as respostas que sejam dadas por escrito não sejam esclarecedoras, pedir a audição do ministro do Ambiente no parlamento.
"O senhor ministro deu garantias no parlamento que não era preciso mais nada para cumprir a sua obrigação. A situação agrava-se desde que ele é ministro: ou é acusado de incompetência ou de irresponsabilidade", resumiu.
Um manto de espuma branca com cerca de meio metro cobriu na quarta-feira o rio Tejo na zona de Abrantes, junto à queda de água do açude insuflável, num cenário descrito como "dantesco" pelo grupo ambientalista proTEJO e como "assustador" pelo município.
"Ando nisto há mais de três anos e este é um cenário dantesco e nunca visto", disse à Lusa Arlindo Marques, dirigente do Movimento pelo Tejo -- proTEJO, que neste período tem registado e denunciado episódios de poluição no rio, partilhando-os na internet.
Também à Lusa, o vereador do Ambiente na Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, disse à Lusa ter sido surpreendido por um "nível de poluição visual brutal", uma situação "assustadora" e "acima de todos os parâmetros" ali registados.
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