Interrogado sobre a manutenção no Governo da ministra da Saúde, Hugo Soares justificou-a com base nos "resultados" alcançados pela titular desta pasta ao longo do último ano.
O líder parlamentar do PSD considerou esta quarta-feira que a nova equipa ministerial liderada por Luís Montenegro transmite "confiança" aos portugueses, destacou a prioridade política concedida à reforma do Estado e defendeu os resultados da ministra da Saúde.
Hugo Soares falava aos jornalistas na Assembleia da República, após o primeiro-ministro indigitado, Luís Montenegro, ter entregado ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, os nomes dos 16 ministros que fazem parte do XXV Governo Constitucional.
"O Governo apresentado pelo primeiro-ministro dá uma grande confiança ao país, porque traduz um compromisso de grande ímpeto reformista, de crescimento económico e de políticas sociais. Do lado das áreas de soberania denota-se uma grande preocupação com a responsabilidade", declarou o presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
Interrogado sobre a manutenção no Governo da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, Hugo Soares justificou-a com base nos "resultados" alcançados pela titular desta pasta ao longo do último ano.
"Se quisermos analisar os resultados e os factos, devemos então ser factuais na análise desses resultados. Há um ano, quando este Governo tomou posse, o Serviço Nacional de Saúde estava num caos autêntico", advogou.
O líder da bancada social-democrata admitiu a seguir que a pasta da Saúde ainda requer "muito trabalho", mas, na sua perspetiva, "os portugueses esperam menos tempo para cirurgias, esperam menos tempo nas urgências hospitalares e há mais portugueses com médicos de família do que havia há um ano".
"Estamos perante a exigência de um trabalho estrutural que é preciso fazer e não é mudando de ministro, sobretudo quando aquele que estava no exercício de funções tem apresentado resultados, que vamos conseguir ultrapassar os obstáculos que ainda há, infelizmente, na área da saúde em Portugal", completou.
Em relação às novidades introduzidas no novo Governo de Luís Montenegro, Hugo Soares realçou a aposta em Gonçalo Matias para as funções de ministro Adjunto e da Reforma do Estado.
"Os portugueses sabem que um dos grandes obstáculos às suas vidas, à vida das empresas, é a burocracia. Muitas vezes é o excesso de Estado, outras vezes o facto de haver menos Estado onde ele é preciso. Vamos agora ter um ministro a tutelar a reforma do Estado, sendo Adjunto [do primeiro-ministro], o que lhe dá força política junto do Governo", destacou o presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
Hugo Soares referiu depois que o primeiro-ministro "já tinha dito que a grande preocupação se relacionava com os bloqueios que a economia tem -- bloqueios resultantes da burocracia e que tornam necessária a modernização do Estado".
"E para isso é preciso força política, é preciso alguém que reúna as características para poder dar esse impulso e parece-me que o perfil do doutor Gonçalo Matias é absolutamente inatacável", sustentou.
Em relação às críticas que têm sido feitas a algumas das escolhas de Luís Montenegro, o também secretário-geral do PSD usou a ironia e comentou que não estava à espera que a oposição as elogiasse.
"É normal, faz parte destas ocasiões que a oposição possa criticar o Governo e as escolhas", disse. Insurgiu-se, porém, contra uma das críticas feitas pelo PS à escolha de Maria Lúcia Amaral, até agora Provedora de Justiça, para as funções de ministra da Administração Interna.
"O PS disse que lhe fazia confusão alguém que sai da Provedoria de Justiça, nomeada pelo PS, para ir para as funções de ministra da Administração Interna. Mas nunca fez confusão ao PS tirar ministros do Governo para irem para entidades reguladoras ou para o Banco de Portugal", observou, aqui numa alusão a Mário Centeno.
Para Hugo Soares, essa crítica do PS é "extraordinária", razão pela qual pediu aos socialistas "um bocadinho de bom senso".
"A escolha da ministra da Administração Interna é mais um dos casos em que o perfil se adequa à função de grande responsabilidade, de grande moderação, de grande confiança que transmite às pessoas. Numa pasta tão sensível como a Administração Interna, vamos ter alguém que tem os resultados que tem como Provedora de Justiça - e que os portugueses bem conhecem", acrescentou.
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