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Raimundo acusa Chega de ter como primeira preocupação os "próprios tachos e lugares"

Raimundo lamentou que, numa altura em que o país e o mundo enfrentam tantos problemas, a primeira preocupação do partido de André Ventura no quinzenal foram "os seus próprios lugares".

19 de março de 2026 às 12:17

O secretário-geral do PCP acusou esta quinta-feira o Chega de ter como primeira preocupação os "próprios tachos e lugares" no sistema que "tanto jura combater", considerando que nos órgãos externos do parlamento se aplica "aquilo que se aplicou sempre".

"O que eu acho que é de registar e de sublinhar foi que esse tal partido que fala sempre contra os tachos e contra os lugares e contra o sistema, a primeira preocupação que levou ontem [quarta-feira] ao debate foi exatamente os seus próprios tachos e os seus próprios lugares no sistema", respondeu aos jornalistas Paulo Raimundo à saída da audiência com o Presidente da República, António José Seguro.

Segundo o líder comunista, "o Chega pode indicar quem quiser", mas "não pode determinar quem vai". "O resto é fazer hoje o que se fez sempre. Há uma lista de nomes, vai a votação na Assembleia da República e uns são eleitos e outros não são eleitos. É aplicar para este processo aquilo que se aplicou sempre", considerou.

Raimundo lamentou que, numa altura em que o país e o mundo enfrentam tantos problemas, a primeira preocupação do partido de André Ventura no quinzenal foram "os seus próprios lugares, nos órgãos do sistema que os eles tanto juram combater".

Entre as preocupações que o secretário-geral do PCP disse ter transmitido ao Presidente da República nesta primeira ronda de encontros depois da sua eleição, esta a situação do Serviço Nacional de Saúde, o acesso à habitação, e a "loucura para a qual o Governo decidiu arrastar o país, da guerra e do confronto em curso, por parte dos Estados Unidos e de Israel ao Irão".

"Tive a oportunidade de transmitir ao senhor Presidente que consideramos um erro esta obsessão do Governo e dos partidos que o comportam, o PSD e o CDS, mas também do Chega e IL, esta tentativa de imposição de meter pela janela aquilo que não conseguem abrir a porta, que é o pacote laboral", insistiu.

Raimundo referiu que, enquanto candidato presidencial, Seguro "fez um conjunto de declarações que certamente vai dar continuidade".

"Não tenho nenhuma dúvida sobre isso, o Presidente foi muito claro, muito frontal, nas declarações que fez e nos procedimentos que teve antes de ser eleito, e de certa forma reafirmados no seguimento da própria eleição", considerou.

Para o líder comunista, "não há nada que justifique alterar para pior uma lei laboral que precisa ser alterada para melhor e não para pior".

"O Presidente voltou a colocar a ideia de que está a analisar um procedimento do ponto de vista da procura de soluções que considera serem necessárias para a saúde. Aquilo que afirmámos foi que nós não ficaremos fora desse debate", disse, questionado sobre o pacto para a saúde proposto pelo novo chefe de Estado durante o período eleitoral.

De acordo com Raimundo, o Presidente da República "não avançou em nenhum elemento concreto, apenas avançou a ideia de que vai dar início a esse processo".

"Cá estaremos para acompanhar e para contribuir, naturalmente, como temos feito sempre. (...) A ideia com que fiquei é que o senhor Presidente quer dar, de facto, andamento a esse processo, que também envolve os partidos", assegurou, considerando que a "questão fundamental é como é que se salva o Serviço Nacional de Saúde".

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