"Nós precisamos, de facto, de investimento, mas que esse investimento seja colocado ao serviço público e em benefício público e não em benefício dos privados", destacou Paulo Raimundo.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defendeu esta terça-feira que o dinheiro público investido na ferrovia deve ser colocado ao serviço da população e não de privados, acusando o governo de querer fazer negócio "à conta do esforço" dos portugueses.
"Nós precisamos, de facto, de investimento, mas que esse investimento seja colocado ao serviço público e em benefício público e não em benefício dos privados", destacou Paulo Raimundo.
O líder do PCP, que falava à margem da apresentação do livro "Dossier: Desastre na Ferrovia - 35 anos de Liberalização", das Edições Avante!, que decorreu esta terça-feira na Estação do Rossio, em Lisboa, considerou ser necessária "mais disponibilidade para resolver o problema de transporte público e não o caminho de privatização".
Para Paulo Raimundo, o Governo quer "fazer um negócio à conta do esforço" dos portugueses: "O Governo vai comprar comboios com o nosso dinheiro, com os nossos impostos. (...) Vai modernizar as linhas com o nosso dinheiro (...). E, depois de tudo isso, diria assim, depois de composto o ramalhete, vai entregar a exploração aos privados".
Questionado sobre um estudo da Autoridade da Concorrência (AdC) que defende a abertura da ferrovia à concorrência e a entrada de novos operadores, o líder do PCP deu como exemplo a Fertagus, acusando a operadora de ser "incapaz de garantir o transporte dos utentes da Margem Sul para Lisboa e de Lisboa para a Margem Sul".
"E o que é mais extraordinário é que a CP está impedida de pôr comboios da CP a circular na linha [da Fertagus]. Exatamente pelo contrato de concessão que está feito. (...) Talvez a AdC não tenha lido essa alínea B do contrato de concessão", frisou.
Ainda sobre a Fertagus, Paulo Raimundo apontou como um exemplo de uma concessão feita a uma empresa que "não faz investimento nenhum e que não resolve o problema dos utentes".
"Porque a sua principal preocupação não é resolver o problema dos utentes. A sua principal preocupação é garantir as rendas que o Estado paga e lucrar o máximo possível", sublinhou.
Paulo Raimundo referiu-se ainda ao atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, e atual ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, realçando que foram responsáveis por dar cobertura política ao governo liderado por Pedro Passos Coelho que "na altura foi o governo que mais linhas encerrou".
"Não nos esqueçamos o que é que o atual ministro Pinto Luz fez à 25.ª hora do governo PSD-CDS de Passos Coelho, quando foi a correr privatizar a TAP", sublinhou ainda.
Sobre o livro "Dossier: Desastre na Ferrovia - 35 anos de Liberalização" apresentado esta terça-feira, Paulo Raimundo referiu que é uma obra que alerta e denuncia sobre a ferrovia, mas que também "propõe as soluções".
"Dá vários exemplos concretos de como este processo que se quer aqui implementar faliu. (...) Faliu na Inglaterra, onde hoje há um processo de renacionalização daquilo que começou há 30 anos a ser privatizado", apontou.
O líder comunista fez ainda um apelo "aos utentes, aos operadores ferroviários, aos patriotas, para que não permitam" o que classificou como um "assalto aos recursos públicos".
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