Secretário-geral do PCP considera que o Governo tem de optar entre assumir despesas para alimentar guerras ou despender essas verbas na guerra da reconstrução após os estragos deixados pelas tempestades.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou esta segunda-feira que o Governo tem de optar entre assumir despesas para alimentar guerras ou despender essas verbas na guerra da reconstrução após os estragos deixados pelas tempestades.
"Isto é um problema de grande dimensão e o país vai ter que fazer opções sobre o que é que é prioritário", afirmou Paulo Raimundo, sublinhando que o Governo terá que decidir se opta por "aventuras, loucuras, despesas para alimentar guerras" ou por "enfrentar esta guerra no terreno, que é a guerra da reconstrução, da recuperação do país e da vida das pessoas".
O secretário-geral do PCP falava no decorrer de uma visita ao Estaleiro Municipal de Ourém, no distrito de Santarém, onde desde a tempestade Kristin está instalado um centro de recolha e doação de bens às populações pelo mau tempo.
"O que sobressaí [desta visita e de outras que Paulo Raimundo tem efetuado pelo país] é o espírito de solidariedade do nosso povo", disse, elogiando "este movimento de solidariedade, esta entrega das autoridades, entrega dos órgãos da Câmara Municipal, dos eleitos e das populações".
"Todo este movimento que se gerou, e continua a gerar, de solidariedade, de entrega de materiais, de procura de soluções, é uma coisa extraordinária", sublinhou Paulo Raimundo, aludindo à mobilização popular que encontrou em Ourém, na Marinha Grande, em Leiria em Alcácer do Sal, e "em todo o lado".
Porém, lembrou o muito que "falta fazer" para vincar que "não é um problema de falta de vontade, não é um problema de falta de empenho, é um problema de falta de meios".
Para o líder do PCP " as autarquias não estão em condições de resolver este problema", atendendo aos elevados custos com a reparação de estradas, equipamentos públicos, reabastecimento de água, exemplificou.
Depois de defender a necessidade de apoios do Estado na reconstrução do país, Paulo Raimundo advertiu: "o Governo vem-nos apresentar mais uma operação, o Plano de Resiliência Nacional, mas vamos ver se não fica só pela propaganda".
Tanto mais que, "apesar de estarem algumas pessoas já pontualmente a receber este ou aquele apoio, há um problema de falta de estrutura para responder" e, depois dos apoios "é preciso haver quem reconstrua as casas".
Paulo Raimundo falava no final de uma reunião com o presidente da Câmara de Ourém, Luis Miguel Albuquerque, que fez um ponto de situação sobre o concelho onde "800 quilómetros de estradas ficaram intransitáveis" e "cerca de duas mil casas estão ainda sem eletricidade.
No concelho de Ourém o mau tempo resultou ainda em 40 pessoas se ficaram desalojadas e foram instaladas numa unidade de apoio em Fátima, das quais, segundo o autarca, 24 se mantém ainda no centro de apoio.
Outras 80 pessoas foram deslocadas e "encontraram soluções em casa de familiares", disse o presidente, acrescentando que "há quatro famílias cujas casas não tem reparação", estando a ser estudada a possibilidade de "os instalar em casas modulares".
No concelho em que "cerca de 10 mil casas ficaram destelhadas", o autarca estima que, excluindo estes danos e os das empresas, "só em espaços e equipamentos públicos os prejuízos vão rondar os 30 a 35 milhões de euros ", disse Luis Miguel Albuquerque.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.
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