"O PS tem de explicar porquê. Estou incrédulo com isso", afirma o secretário-geral do PCP.
O secretário-geral do PCP mostrou-se, esta terça-feira, incrédulo perante o anúncio do voto contra do PS aos pedido dos comunistas e do Chega para se debater no parlamento a coordenação do combate aos incêndios.
"Estou incrédulo. Não conhecia isso, estou incrédulo. O PS tem de explicar porquê. Estou incrédulo com isso. Só espero que a senhora [jornalista] esteja enganada, mas, infelizmente, se calhar não está", respondeu Paulo Raimundo, quando confrontado pelos jornalistas com a decisão dos socialistas, à margem de uma visita a áreas ardidas no concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo.
O secretário-geral socialista disse, esta terça-feira, que o partido vai votar contra os pedidos do Chega e do PCP para debater no parlamento a coordenação do combate aos incêndios, com a presença do primeiro-ministro e da ministra da Administração Interna.
"O PS é contra a chicana política, numa altura em que se está a combater os incêndios que põem em causa a vida das pessoas e o seu património", justificou José Luís Carneiro, que falava aos jornalistas na cidade da Horta, na ilha do Faial, Açores, no final de uma visita às instalações locais da RTP/Açores.
Para Paulo Raimundo, "agora é altura de combater os incêndios, de salvaguardar as vidas das pessoas, de preservar os solos, de acabar com os fogos de grande dimensão que ainda existem".
"Diria que ainda estamos longe do fim deste período conturbado, e é, de facto, altura para isso. Mas se não tomarmos agora as medidas, e percebermos o que aconteceu bem e o que aconteceu mal, então vamos andar sempre a arrastar com a barriga. E andamos há muitos anos a arrastar com a barriga e as consequências estão à vista. Vamo-nos habituando a que para o PS nunca é altura para nada", acusou o líder do PCP.
Na segunda-feira, fonte do gabinete do presidente da Assembleia da República disse que a conferência de líderes parlamentares vai reunir-se na quarta-feira para discutir o pedido do Chega para um debate de urgência sobre a coordenação do combate aos incêndios com a presença do primeiro-ministro e da ministra da Administração Interna.
Esta terça-feira, o Grupo Parlamentar do PCP requereu uma reunião extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia da República com a presença do primeiro-ministro para debater os incêndios que têm estado a afetar o país.
José Luís Carneiro disse, esta terça-feira, que, na conferência de líderes, o PS irá votar contra os pedidos.
"É um voto contra. Quando somos contra, temos que ser consequentes, que é um voto contra a tentativa de um aproveitamento, do meu ponto de vista indevido, num momento especialmente crítico", justificou.
Acrescentou que haverá uma altura para avaliar o que "correu bem e o que correu menos bem" e que o PS já apresentou "propostas alternativas de como se poderia fazer bem".
Questionado sobre se a posição do PS é tomada por as propostas terem sido do PCP e do Chega, respondeu: "Entendemos que é uma utilização indevida [...] nós não faremos ao doutor Luís Montenegro, nem diremos do doutor Luís Montenegro, aquilo que o doutor Luís Montenegro disse do doutor António Costa e disse do Partido Socialista quando estava no Governo, a propósito dos incêndios".
José Luís Carneiro reafirmou que o primeiro-ministro deve conduzir politicamente o combate aos incêndios, "no sentido de dar orientações", por isso, propôs a convocação da Comissão Nacional de Proteção Civil.
Considera ainda importante saber "porque é que o ministro da Agricultura e das Florestas até agora ainda não falou".
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