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Raimundo rejeita "conversa de caos" sobre SNS e critica Seguro e Ventura

Na ótica do líder comunista, os "defensores do SNS" têm a obrigação de "não deixar de apontar os problemas, apresentar soluções" e não abdicar de "apontar os responsáveis".

23 de janeiro de 2026 às 18:06

O secretário-geral do PCP alertou esta sexta-feira que os defensores do Serviço Nacional de Saúde estão perante a "armadilha" de não se conformarem com os problemas no setor sem alimentar "a conversa do caos", deixando críticas aos dois candidatos presidenciais.

"Qual é a armadilha em que estão os defensores do SNS? Não se poderem conformar com a situação atual e, simultaneamente, não podem alimentar a conversa do caos, porque só serve para desacreditar ainda mais o SNS e acabar com ele de vez", realçou Paulo Raimundo, durante uma audição pública na Assembleia da República intitulada "Salvar o SNS -- uma necessidade urgente".

Na ótica do líder comunista, os "defensores do SNS" têm a obrigação de "não deixar de apontar os problemas, apresentar soluções" e não abdicar de "apontar os responsáveis".

Durante a sua intervenção, perante várias entidades e organizações do setor da saúde ouvidas pelo grupo parlamentar durante a tarde, Paulo Raimundo deixou ainda críticas aos dois candidatos presidenciais que estarão na segunda volta das eleições a Belém: o socialista António José Seguro e o líder do Chega, André Ventura.

"Nas eleições presidenciais há dois candidatos: um que defende um pacto [para a saúde], o que está à vista, e outro que vai enunciar, como tem feito, todos os males do Serviço Nacional de Saúde, sem apresentar nenhuma solução, fazendo a maior berraria possível, porque aquilo que quer transmitir é uma situação de caos", criticou.

Paulo Raimundo acusou André Ventura de falar em caos "não para melhorar" o SNS, mas para "servir o interesse do negócio", e também visou Seguro, que tem defendido a necessidade de um pacto para a saúde.

Para o secretário-geral comunista, se o país chegou à situação atual "não foi por falta de pactos na saúde, foi pelo pacto permanente, nomeadamente entre PS e PSD".

Paulo Raimundo criticou ainda que "os mesmos apologistas do mercado" sejam aqueles que criam "regras mais exigentes" para o setor público do que para o setor privado.

Rejeitando ser contra a iniciativa privada ou o negócio privado na saúde, o deputado defendeu que essa atividade "não pode ser financiada às custas do Estado" e alertou que "o desmantelamento" do SNS "está muito acelerado".

O secretário-geral do PCP defendeu a importância de "retomar o caminho de salvar o SNS e recolocá-lo no rumo certo", que disse servir os seus trabalhadores, os utentes e o país.

"Quem aqui chegar e disser 'amanhã temos tudo resolvido', é mentira. Ou então é demagogo, também há muitos, há uns mais que outros, há uns até mais visíveis que outros, mas isso é mentira", criticou.

Paulo Raimundo deixou ainda uma palavra aos profissionais de saúde e defendeu a valorização das suas carreiras como fator de atração para o SNS.

Também presente na sessão, o dirigente comunista e ex-deputado Bernardino Soares criticou a "mercantilização dos atos em saúde".

"Mesmo dentro dos serviços públicos, do SNS, tudo está compartimentado como se nós estivéssemos a gerir uma mercearia de cuidados de saúde, quando o que nós estamos é a tratar de coisas essenciais para a vida e para a qualidade de vida das pessoas", alertou.

Bernardino parafraseou ainda Winston Churchill, histórico primeiro-ministro do Reino Unido: "O SNS é o pior dos sistemas, à exceção de todos os outros que são ainda piores e serão sempre piores que o SNS para garantir o direito à saúde das populações".

Nesta audição participaram várias entidades: o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), a Federação Dos Sindicatos Da Função Pública, a Ordem dos Biólogos, a Associação Nacional de Farmácias (ANS), a Associação de Mulheres com Patologia Mamária (AMPM), o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), o Movimento Unitário De Reformados Pensionistas E Idosos e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM).

Estiveram ainda presentes as comissões de utentes da Baixa da Banheira, Setúbal e Cascais.

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