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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Rui Tavares alerta para necessidade de "integridade e transparência" de quem quer governar após megaoperação da PJ

Porta-voz do Livre lembrou que coligação com o PS para as autárquicas foi liderada por Alexandra Leitão na qual disse confiar para tratar "de uma forma muito rápida e, se necessário, implacável" qualquer suspeita.

28 de maio de 2026 às 14:43

O porta-voz do Livre alertou esta quinta-feira que os políticos do "campo progressista" que pretendem substituir a atual governação têm que ser "absolutamente límpidos" contra os "inimigos da democracia", numa reação às buscas da PJ que envolvem autarquias socialistas.

"Não tenho grandes dúvidas que as coisas serão tratadas com a devida seriedade, que é isso que as pessoas estão à espera de quem pretende substituir o atual ciclo conservador na política portuguesa por um ciclo progressista que tem que ter critérios, que são critérios elevados em termos de integridade e transparência", alertou Rui Tavares.

Tavares falava à Lusa à margem de uma ação no centro de Lisboa, questionado sobre as buscas realizadas esta quinta-feira pela Polícia Judiciária em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, mas também na sede nacional do PS, no Largo do Rato, envolvendo a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia, e da qual resultaram cinco detenções.

O líder do Livre alertou que este tipo de casos "aproveitam, muitas vezes, aos inimigos da democracia", ainda que "a moral para fazer essas críticas seja pouca", afirmando que o líder do Chega, André Ventura, "está por todo o lado no caso Tutti Frutti" -- iniciado em 2018 e que investiga a alegada troca de favores entre militantes do PS e PSD na capital.

"Isso é um problema. O outro problema é dos líderes democráticos. Num momento em que queremos que o ciclo que nós temos na política atual, que é um ciclo conservador, venha a ser substituído por um ciclo progressista, é muito importante que os líderes do campo progressista sejam absolutamente límpidos em relação a qualquer questão que tenha a ver com suspeitas de gerir, no caso, autarquias, sem ter em conta o superior interesse, que é o interesse público das coisas serem feitas de forma transparente", avisou.

Interrogado sobre o facto de o Livre se ter coligado em diversas autarquias com o PS nas últimas autárquicas, nomeadamente na capital do país, Tavares lembrou que essa coligação foi liderada por Alexandra Leitão na qual disse confiar para tratar "de uma forma muito rápida e, se necessário, implacável" qualquer suspeita.

O porta-voz do Livre disse ainda esperar a mesma atuação da liderança nacional do PS, insistindo no aviso de que quem quer substituir o atual ciclo governativo à direita tem que ser transparente.

"Evidentemente, pode sempre haver motivos de esclarecimento, pode haver investigações que decorrem, que revelam o que tiverem a revelar e nós temos que esperar que aquelas cheguem ao seu decurso, mas é importante, desde logo, ter a noção da relevância que o povo atribui a estas coisas e da importância que têm os partidos distanciarem-se imediatamente e tratarem as coisas, se necessário, de uma forma implacável", sublinhou.

O PS confirmou hoje que a Polícia Judiciária está a realizar buscas na sede nacional, em Lisboa, afirmando que as diligências estão relacionadas com um dos seus trabalhadores e não com o partido.

O CM sabe que um dos cinco detidos é Duarte Moral, assessor de imprensa do PS. Segundo informações recolhidas pelo CM, esta investigação diz respeito a suspeitas de corrupção e eventualmente financiamento partidário ilegal. A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e o ex-presidente, Miguel Coelho, são dois dos alvos.

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