Ex-primeiro-ministro diz que dissolução do parlamento em 2004 "pôs o país à deriva".
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O ex-primeiro-ministro Santana Lopes considerou esta terça-feira que o antigo Presidente da República Jorge Sampaio tem "um peso terrível" na consciência por dissolver o parlamento em 2004 e permitir um executivo que "pôs o país à deriva".
"Compreendo que o doutor Jorge Sampaio tenha esse peso na consciência porque a decisão dele [de dissolver a Assembleia da República em julho de 2004] é que pôs o país à deriva", sustentou Santana Lopes na SIC-Notícias, no seu habitual espaço de debate às terças-feiras com o socialista António Vitorino.
O ex-chefe do Governo comentava as considerações de Sampaio sobre o período em que esteve à frente do Governo, inscritas no segundo volume da sua biografia política, da autoria do jornalista do Expresso José Pedro Castanheira, que será lançado em 20 de março e apresentado em 07 de abril.
"Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva, mas não foi uma decisão 'ad hominem'. Ninguém gosta de dissolver o parlamento e eu tomei essa decisão em pouco mais de 48 horas. Hoje faria o mesmo, porque era preciso", salienta o ex-chefe de Estado no livro, que tem a chancela da Porto Editora.
"Até me custa à crer que essa frase seja dele. Tenho o doutor Jorge Sampaio na conta de uma pessoa educada", começou por afirmar Pedro Santana Lopes, recordando que por diversas vezes dissera que não iria debater o período que levou à dissolução do parlamento em julho de 2004 e abriu caminho à primeira maioria absoluta do PS, com José Sócrates como primeiro-ministro.
De qualquer forma, Santana Lopes disponibilizou-se para debater com Jorge Sampaio na televisão, insistindo que o ex-Presidente deve ter "um peso terrível" na consciência, porque quando dissolveu o parlamento, o seu Governo "estava a aborrecer um pouco a banca", sobretudo alguns dos que agora estão a ser perseguidos pela Justiça.
"Se o doutor Jorge Sampaio quiser falar disso civilizadamente, estou ao dispor. Agora, de bocas os portugueses estão fartos", acentuou.
Quanto a ideia de que a mudança de Governo nas eleições de 2005 veio dar razão à decisão de dissolver o parlamento, o atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa recorreu a uma metáfora para responder.
"Quando um parlamento é dissolvido a meio do mandato de um Governo, normalmente isso dá a vitória à oposição. Não era difícil acertar no Euromilhões nessa altura", concluiu.
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