António José Seguro fez um discurso em defesa da preservação da União Europeia como "o maior projeto de paz da História moderna".
O Presidente da República apelou esta quinta-feira à defesa da democracia também como condição de segurança e alertou para crescimento dos nacionalismos, afirmando que são "o caminho para o abismo e para a destruição coletiva".
Na cerimónia comemorativa do 50.º aniversário do Instituto Universitário Europeu, em Florença, Itália, António José Seguro fez um discurso em defesa da preservação da União Europeia como "o maior projeto de paz da História moderna", considerando que esse é "um legado que hoje está em perigo".
Segundo o chefe de Estado, "para preservar a paz, a Europa tem de percorrer quatro caminhos em simultâneo: salvaguardar a democracia, como fundamento irrenunciável da vida em comum; aprofundar a integração política europeia, como garantia de solidariedade entre os seus povos; construir autonomia estratégica, como expressão de soberania e responsabilidade no mundo; estabelecer uma cultura política de confiança, como condição de êxito dos anteriores".
"A defesa da democracia é, simultaneamente, uma opção ideológica e uma exigência de segurança coletiva. Em tempos de recuo democrático e de perda da qualidade da democracia, torna-se imperativa a sua defesa, como método de seleção de governantes, como liberdade de expressão e de participação, como resposta às necessidades sociais, económicas e culturais das pessoas e, sublinho, como condição para a preservação da paz", argumentou.
Num discurso de cerca de quinze minutos, feito em português, o chefe de Estado acrescentou que "os nacionalismos não são solução", referindo que, "mais do que o amor aos próprios, são frequentemente o ódio aos outros" e que "estiveram na origem das duas guerras mundiais e de dezenas de milhões de mortos".
António José Seguro alertou que, perante "o ressurgimento de retóricas idênticas em diferentes países europeus", não se pode ficar indiferente: "Não podemos silenciar o alarme que a História nos desperta".
"Patriotismo e nacionalismo não são sinónimos. Amar o país de onde se vem é uma emoção legítima e nobre. Transformar esse amor em arma contra os outros é o caminho para o abismo e para a destruição coletiva. E o século XX, demasiadas vezes, caiu nesse abismo", afirmou.
O Presidente da República defendeu que "a Europa só terá futuro assente em regimes democráticos e com maior integração política" e que "recuar não é opção".
No seu discurso, António José Seguro considerou que "a liberdade e a paz estão a ser ameaçadas pela força bruta de fora e também pela indiferença e pelo cinismo de dentro".
"As democracias enfrentam pressões internas sem precedentes e deparamos com a desinformação como arma política, a erosão da confiança nas instituições e com o crescimento de movimentos que instrumentalizam o descontentamento para minar os fundamentos do Estado de direito democrático", apontou.
O Presidente da República pediu "lideranças que pensem em Europa para além dos egoísmos imediatos dos Estados-membros que representam" e defendam o projeto europeu com "mais união, mais ambição e mais coragem política".
Na assistência estavam, entre outros, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e o presidente do Conselho Europeu e anterior primeiro-ministro português, António Costa, que tinham intervenções a seguir, em painéis distintos.
António José Seguro seguiu, entretanto, de Florença para Roma, de comboio, para um encontro com o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella, no Palácio do Quirinal.
Esta é a sua segunda deslocação ao estrangeiro enquanto Presidente da República, depois da visita oficial que fez a Espanha, entre 19 e 20 de abril, durante a qual se encontrou com o Rei Felipe VI e com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, em Madrid.
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