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Correio da Manhã

Política

Simpatizantes vão votar pela primeira vez nas eleições diretas para secretário-geral do PS

Eleições estão marcadas para 15 e 16 de maio, duas semanas antes do Congresso Nacional do partido.
Lusa 6 de Janeiro de 2020 às 12:32
Bandeiras do PS
Bandeiras do PS FOTO: Paulo Duarte / MEIOFORMATO
Cerca de 500 simpatizantes socialistas vão poder votar pela primeira vez nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS, marcadas para 15 e 16 de maio, duas semanas antes do Congresso Nacional deste partido.

Os regulamentos das eleições diretas para o cargo de secretário-geral e da eleição de delegados para o do XXIII Congresso Nacional do PS, que se realiza em Portimão entre 30 e 31 de maio, foram aprovados por unanimidade na última Comissão Nacional do PS, no sábado no Porto.

A possibilidade de os simpatizantes terem direito de voto na eleição do líder do partido foi aberta há dois anos, na sequência de uma alteração estatutária que consagrou a existência de um Registo Nacional de Simpatizantes do PS.

Em declarações à agência Lusa, o secretário nacional do PS para a Organização, Hugo Pires, estimou em cerca de 500 o número de simpatizantes que se encontra em condições de votar nas eleições diretas de maio. A este número de simpatizantes acresce, naturalmente, o universo de militantes deste partido com capacidade eleitoral ativa e que, numa estimativa ainda provisória, se situará entre um mínimo de 60 mil e o máximo de 80 mil.

Hugo Pires referiu que se encontram em condições de votar nas eleições diretas os simpatizantes socialistas que se encontram registados até seis meses antes do ato eleitoral, ou seja, até meados de novembro.

Além deste prazo, "os simpatizantes terão de pagar uma contribuição única, cujo montante surgirá na sequência de uma proposta a apresentar pelo Secretariado Nacional do PS e que poderá ser na ordem dos 12 euros".

"Em dois anos, cada militante do PS paga ao partido 24 euros", justificou Hugo Pires.

Em setembro de 2014, o PS realizou eleições primárias abertas a cidadãos independentes para escolher o seu candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 2015, nas quais votaram cerca de 150 mil pessoas e em que António Costa derrotou António José Seguro.

Apesar de as "primárias" abertas a cidadãos estarem previstas nos estatutos do PS, os socialistas não repetiram mais este método de eleição, quer por razões de ordem política interna - a liderança do partido não esteve em causa desde setembro de 2014 -, quer pelos custos financeiros que esta operação envolveu há cinco anos.

O líder da corrente minoritária do PS, Daniel Adrião, tem sido um dos defensores da regularidade de eleições primárias, quer para a liderança do partido, quer ao nível de cargos de representação externa dos socialistas (deputados, eurodeputados ou autarcas).

No sábado, durante a reunião da Comissão Nacional do PS, no Porto, Daniel Adrião saudou o passo dado por se abrir a simpatizantes a participação em eleições diretas para o cargo de secretário-geral.

"A possibilidade de os simpatizantes poderem participar na eleição do secretário-geral é uma inovação que se inscreve na tradição de abertura do PS. E nesse sentido o PS cumpre a tradição de ser o partido mais inovador da democracia portuguesa. Depois de ter sido o primeiro partido a fazer a eleição do líder através de eleições diretas, é agora o primeiro grande partido a abrir essa eleição aos simpatizantes", declarou o líder da tendência minoritária dos socialistas.

Daniel Adrião, no entanto, defendeu que nas próximas eleições diretas para o cargo de secretário-geral devem também poder entrar no universo de votantes os militantes considerados inativos (com mais de quatro anos de quotas em atraso) e representantes independentes do PS em órgãos autárquicos.

"Independentemente do número de simpatizantes que poderá votar nas próximas eleições diretas, esta abertura é um importante marco na história do nosso partido", acrescentou.

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