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Siza Vieira considera "normal" medidas decididas pela TAP para reduzir a sua operação e custos

Empresa reduziu a capacidade em março e abril devido ao "forte abrandamento" nas reservas, em pleno surto de Covid-19.
Lusa 5 de Março de 2020 às 20:12
Pedro Siza Vieira
Pedro Siza Vieira
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Pedro Siza Vieira
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Pedro Siza Vieira
O ministro da Economia considerou esta quinta-feira ser "normal" as medidas anunciadas pela TAP para reduzir a sua operação e custos, sublinhando que se trata de uma atividade de gestão, tendo em conta os impactos provocados pelo novo coronavírus.

"No setor das viagens e do alojamento estamos a ter uma quebra muito grande de procura. E, portanto, se uma empresa de transporte aéreo de repente tem voos marcados em que tem muito poucos passageiros ou, se calhar, não tem passageiros, é normal que adote medidas para reduzir a sua atividade e custos, de tal maneira que não faça determinados investimentos que iriam exigir um esforço de tesouraria nesta altura", afirmou Siza Vieira, que falava aos jornalistas, em Lisboa, à margem da apresentação do plano de ação para a transição digital.

Para o governante as medidas anunciadas pela comissão executiva da TAP fazem sentido e refletem a atividade de gestão da empresa.

"É isso que é gerir uma empresa. É, nestas alturas, fazer planos de contingência e saber exatamente como gerir", precisou o governante, sobre a resposta da comissão executivo da TAP ao impacto do novo coronavírus.

Os acionistas da TAP são públicos e privados, sendo que 50% está nas mãos da Parpública, sociedade que detém as participações do Estado, e 45% nas mãos do consórcio Atlantic Gateway, detido por Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, e pelo empresário David Neeleman. Os restantes 5% do capital estão nas mãos dos trabalhadores.

O também ministro de Estado e da Transição Digital sublinhou ainda que, apesar dos impactos do Covid-19, a atividade económica "continua funcional", acrescentando que, à exceção dos setores do turismo e viagens, não estão a ser registados "impactos significativos".

A TAP decidiu reduzir a capacidade em março e abril devido ao "forte abrandamento" nas reservas, em pleno surto de Covid-19, num total de 1.000 voos, indicou hoje a companhia aérea em comunicado.

"O volume de reservas para março e abril mostra, desde as últimas duas semanas, quebras significativas relativamente ao ano passado", lê-se na nota.

"Este forte abrandamento da procura faz com que a TAP tenha procedido ao cancelamento imediato de voos com menor procura, reduzindo a capacidade em 4% em março e 6% em abril, o que representa um total de cerca de 1.000 voos", explicou a transportadora.

Por outro lado, a comissão executiva da TAP vai implementar medidas para reduzir e controlar custos, incluindo a suspensão ou adiamento de investimentos e de contratações e a "implementação de programas de licenças sem vencimento temporárias", segundo uma nota enviada aos trabalhadores.

"Vamos implementar um conjunto de iniciativas que visam controlar e reduzir custos como suspensão ou adiamento de investimentos não críticos, corte de despesas acessórias, renegociação de contratos e prazos de pagamento, antecipação de crédito junto de fornecedores, suspensão de contratações de novos trabalhadores, bem como a implementação de programas de licença sem vencimento temporárias", lê-se na nota enviada hoje e a que a Lusa teve a acesso.

Segundo a comissão liderada por Antonoaldo Neves, "em janeiro e fevereiro não houve impacto negativo" no negócio, mas "nos últimos dias observou-se uma significativa quebra nas reservas, com impacto direto" nas vendas.

Por isso, a TAP resolveu implementar medidas para a "adequação da oferta" e "gestão cuidada da posição de caixa, para continuar a manter a liquidez necessária que a atividade exige", lê-se na nota.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.300 mortos e infetou mais de 95 mil pessoas em 79 países, incluindo nove em Portugal.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".

PE (ALYN) // JNM

Lusa/Fim

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