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Correio da Manhã

Política
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TIMOR-LESTE ENTRA NA CPLP

A Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) inicia a sua IV Conferência de Chefes de Estado e de Governo em Brasília, na próxima semana, com a ratificação da adesão do oitavo membro que é também o mais novo país do Mundo: Timor-Leste. Com esta nova adesão, a CPLP fica interligada aos diferentes espaços de integração regional nos cinco continentes.
27 de Julho de 2002 às 23:10
Durante esta conferência, que se inicia na próxima quarta-feira, a CPLP deverá reforçar-se enquanto valor linguístico e de cooperação na teia da globalização, com a interligação a nível dos continentes europeu, africano, americano e asiático, bem como à Oceania.

Com a adesão de Timor, a comunidade ficará com uma população de 200 milhões de lusófonos, o que faz do português a terceira língua ocidental mais falada do Mundo, logo a seguir ao inglês (500 milhões de falantes) e do castelhano (400 milhões).

Antecipando a conferência da CPLP, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz, deslocou-se no final da semana ao Brasil, mais concretamente a S. Paulo, onde garantiu que Portugal “vai fazer um esforço para exportar mais e equilibrar a balança comercial com o Brasil, deficitária em 332 milhões de dólares em 2001”.

“Nos primeiros seis meses do ano, Portugal já importou do Brasil 435 milhões de dólares, só em petróleo”, informou Martins da Cruz, lembrando que, no ano passado, Lisboa comprou o equivalente a 556 milhões de dólares em produtos brasileiros e vendeu apenas 224 milhões de dólares. “Portugal já não é só exportador de vinhos, têxteis e calçado. Se exportamos tecnologias modernas para a Alemanha, Espanha e França podemos também fazê-lo para o Brasil”, frisou o chefe da diplomacia portuguesa.

No decorrer desta visita, Martins da Cruz adiantou que tanto ele como o primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso vão manter reuniões com empresários brasileiros à margem da Conferência da CPLP.

Num estudo recentemente publicado, em Lisboa, o economista e antigo ministro das Finanças Ernâni Lopes equaciona o futuro da CPLP inter-relacionado com o maior ou menor empenhamento do Brasil.

Ernâni Lopes considera importantes as inserções nacionais nos espaços económicos regionais e refere como exigências futuras o desenvolvimento dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), a construção nacional de Timor, o desenvolvimento interno e a projecção global do Brasil, a projecção regional de Angola e a estratégia de desenvolvimento de Portugal.

Portugal e o Brasil participam activamente em fortes blocos de integração económica a nível mundial: a União Europeia e o Mercusul, do qual o Estado brasileiro é a principal economia. Estes dois países integram, ainda, várias outras organizações de cooperação económica entre países ibéricos, latinos e americanos.
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